As burlas através do MB Way, a aplicação que permite pagamentos e transferências bancárias da rede Multibanco, têm vindo a aumentar em comparação ao ano passado.

De acordo com a Polícia de Segurança Pública (PSP), até dia 31 de maio deste ano foram registadas 135 burlas deste género. No ano passado, houve 99 burlas.

Os burlões aproveitam-se dos anúncios que as vítimas colocam online para venda de objetos. 

Depois de anunciarem em sites como o OLX e o Custo Justo, as vítimas são contactadas telefonicamente por supostos compradores, que as convencem a dirigirem-se a um ATM para que o pagamento do objeto seja feito via MB Way.

Os burlões aproveitam o desconhecimento que a vítima possui sobre a aplicação e, através de indicações enganosas sobre os procedimentos a adotarem, conseguem aceder à conta bancária da vítima e fazer levantamentos e compras de forma ilegítima, conta a PSP na página de Facebook.

Segundo a PSP, a vítima é levada a introduzir no ATM o número de telemóvel do suspeito, associando-o assim ao seu cartão de Multibanco.

Convencida de que está a ajudar o potencial comprador a pagar o objeto a verdade é que a vítima está é a dar-lhe a capacidade de acesso à conta que está associada ao seu cartão de Multibanco, permitindo assim os levantamentos indevidos da sua conta bancária.

Por isso, a PSP faz as seguintes recomendações:

1. Se não compreende o funcionamento da aplicação MB Way, recuse o pagamento por esta via;

2. Em caso de dúvida, solicite informação ao seu banco sobre o funcionamento do MB Way antes de o utilizar;

3. Tente sempre fazer os negócios de forma presencial se estiver na mesma área geográfica do comprador;

4. Tente receber os pagamentos presencialmente ou através de transferência bancária;

5. Nunca siga instruções de desconhecidos para fazer pagamentos por MB Way.

SIBS "mantém uma relação estreita com as autoridades" 

A SIBS, responsável pelo Multibanco e pela aplicação MB Way, afirmou que "mantém uma relação estreita com as autoridades" relativamente às burlas ocorridas com recurso àquela 'app', mas não revela dados concretos devido ao segredo de justiça.

"As burlas ou fraudes com serviços legítimos e fidedignos, como é o caso do serviço MB Way, são fundamentalmente um problema de segurança pública, pelo que a SIBS mantém uma relação estreita com as autoridades com vista a ajudar a prevenir e/ou a identificar estas atividades", pode ler-se num comunicado enviado pela SIBS às redações.

A empresa que gere a rede Multibanco adianta ainda que "os dados inerentes à ocorrência destes incidentes estão em segredo de justiça, pelo que não podem ser revelados".

"Todos os serviços SIBS têm sistemas de monitorização e deteção de fraude contínua e permanente, com vista a reduzir ou a identificar a ocorrência de situações criminosas", assegura a SIBS.

A empresa esclarece que "os detalhes inerentes a estes métodos de prevenção são obviamente confidenciais, já que a sua divulgação compromete a respetiva segurança".

No comunicado, a SIBS alerta ainda os utilizadores para que não adicionem "números de telefone de terceiros ou desconhecidos ao serviço" MB Way.

Algumas "recomendações e regras fundamentais" são também recordadas pela SIBS, como "nunca adicionar ou permitir que adicionem à sua conta ou cartão bancário um número de telemóvel que não possui ou desconhece", um processo que "os bancos não solicitam telefonicamente ou por 'mail'".

"Caso seja contactado neste sentido e desconfie da legitimidade do contacto, deverá de imediato entrar em contacto com o seu banco", alerta a gestora de serviços de pagamentos.

A SIBS salienta que, tal como este processo não acontece com bancos, "nenhuma entidade legítima, como operadoras de comunicação ou de outros serviços, lhe poderá solicitar, telefonicamente ou por 'mail'", o mesmo procedimento de adicionar um número de telefone.

"Nunca forneça dados confidenciais ou pessoais como resposta a mensagens de correio eletrónico ou via SMS, mesmo que a origem da solicitação pareça ser legítima", adverte ainda a empresa, recomendando também que nunca sejam seguidas ligações recebidas por correio eletrónico ou SMS.

A SIBS reforça a importância de verificar "os extratos das contas bancárias regularmente".