Vários clientes do Montepio apontam o dedo a um simples gestor de conta, José António Pereira, que se desloca num Jaguar de luxo. Lurdes Silva e Joaquim Almeida são dois desses clientes que se dizem lesados pelo gestor.

Cláudia Rosenbusch, autora da reportagem que dá conta desta megafraude que está a ser investigada pela Polícia Judiciária, revelou ter convidado para o debate o visado da reportagem, mas que este se recusou a comparecer.

Por sua vez, o gestor de conta do Montepio acusou a jornalista, através de um comunicado emitido pela sua advogada, de não ter contactado José António Pereira para “repor a verdade”. Algo que foi prontamente desmentido pela jornalista.

Contactamos o Montepio”, afirmou. “Temos documentos oficiais e pedimos uma entrevista ao visado.

Lurdes Silva, uma das clientes do Montepio que alega ter sido burlada pelo gestor, apresentou a sua versão da história, onde relatou a existência de “uma relação de amizade” com o gestor.

Durante anos, era um parceiro, sempre disponível a ajudar”, contou. “Foram vinte anos. Ele sempre nos apoiou.”

Durante vários anos contou com a ajuda do gestor para lidar com dificuldades que a sua empresa atravessava, até ao momento em que “alguém no Montepio fez uma transferência da nossa conta, sem a nossa autorização”.

Uma versão que vai ao encontro da apresentada por Joaquim Almeida, outro dos lesados. Joaquim revelou que, apesar de não ser ele a lidar diretamente com o gestor de conta, “nunca questionava o doutor”.

Haviam denominadores comuns. Haviam relações de confiança de muitos anos”, contou Cláudia Rosenbusch.

A jornalista confirmou que estes dois casos não foram casos isolados. “Cheguei a outros casos em Oliveira de Azeméis”, revelou.

Alhandra Duarte, ex-diretor de compliance do Banco Montepio, advertiu para o facto de as pessoas terem que estar atentas e não confiarem cegamente nos seus gestores de conta e nos seus bancos.

As pessoas burladas são, normalmente, frágeis. Mas não podem acreditar em tudo”, avisou.

/ JGR