A PSP vai instaurar um processo de inquérito sobre a divulgação de fotografias da detenção dos três homens que fugiram do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, segundo disse fonte policial.

O diretor nacional da PSP mandou instaurar um processo de inquérito para averiguar a divulgação das fotografias, que "será efetuado pela Inspeção Nacional da PSP”, disse à agência Lusa, Alexandre Coimbra, diretor de relações públicas da PSP.

Os três homens foram detidos, pelas 17:30, num parque de campismo em Gondomar, tendo na sua posse 40 mil euros em notas de 500 euros.

Esta foi uma das imagens da detenção divulgadas através das redes sociais

A PSP já tinha anunciando a abertura de um outro inquérito para apurar "se houve, ou não, falhas" policiais na fuga dos três detidos.

MAI também abre inquéritos

Também o ministro da Administração Interna determinou a abertura de um inquérito às circunstâncias em que ocorreu a fuga de três homens do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto e sobre a divulgação de fotografias das suas detenções.

"O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito sobre as circunstâncias em que ocorreu a fuga de três arguidos das instalações do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, bem como sobre a divulgação de fotografias da posterior operação de detenção dos mesmos”, disse à agência Lusa fonte oficial do Ministério da Administração Interna (MAI).

Ordem dos Advogados manifesta "total repulsa"

A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados também manifestou na sexta-feira à noite "total repulsa" pela divulgação das fotografias da detenção de três homens que tinham fugido do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.

Contactado pela agência Lusa, o vice-presidente da Comissão, João Barroso Neto, fez uma primeira reação, "sem prejuízo de tomada de posição mais desenvolvida, em breve".

Aquele órgão colegial manifestou "total repulsa por qualquer demonstração e/ou imagem que ponha em causa a dignidade da pessoa humana".

Questionado sobre se a entidade irá desencadear alguma ação sobre o caso, o vice-presidente da Comissão disse que eventuais medidas serão "ponderadas".

Amnistia lamenta "espetáculo indigno"

Também a Amnistia Internacional condenou a divulgação de fotografias do momento da detenção de arguidos que tinham fugido das instalações do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, lembrando que humilham as pessoas e nada acrescentam ao processo em curso.

Em declarações à agência Lusa, o diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro Neto, “lamentou muito” a divulgação das fotografias dos suspeitos no momento da detenção.

“Não acrescenta nada ao processo de justiça que está a ser realizado. Esta fotografia não acrescenta nada, pelo contrário, humilha as pessoas e fere-as na sua dignidade humana”, afirmou o responsável da secção portuguesa da organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI).

A Amnistia em Portugal congratula-se com a “recaptura dos suspeitos e a sua devolução ao processo judicial” e lembra que em Portugal é o tribunal o órgão que faz justiça, no caso de haver condenação.

“Tudo o resto é espetáculo e é indigno”, lastimou.

Por outro lado, a AI realça a forma como a “polícia agiu”, em que a recaptura dos suspeitos aconteceu “com discrição, sem incidentes, sem feridos”, considerando que é sinal de “um bom trabalho das forças de segurança publica”.

Pedro Neto entende ainda como positivo que o Ministério da Administração Interna tenha determinado a abertura de um inquérito à divulgação das fotografias.