O julgamento dos três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) - Bruno Valadares Sousa, Duarte Laja e Luís Filipe Silva - acusados do homicídio de Ihor Homeniuk começou na terça-feira, no campus de justiça, em Lisboa. 

Esta quarta-feira é ouvida a primeira testemunha: Manuela Cardoso Cabral, empregada de limpeza que estava ao serviço no dia 12 de março, no turno das 07:00.

Nesta que é a segunda sessão do julgamento, Manuela disse que nunca entrou na sala onde estava Ihor, mas, como a porta estava aberta, conseguiu ver que estava sentado num colchão. Referiu ainda que foi alertada pelos seguranças de que o cidadão estava "agitado"

A porta estava aberta e o cidadão estava sentado num colchão, mais ou menos deitado. Estava de barriga para cima. À porta da sala, ao pé do segurança, tinha uns restos de lençóis no chão, dos que são descartáveis. Os seguranças disseram me que o cidadão estava muito agitado, mas não me explicaram porquê". 

A funcionária disse que viu vários inspetores a entrar e a sair da sala e que entre às 09:00 e as 11:00 a porta permaneceu fechada. Referiu também que não detetou nenhum "cheiro estranho".

Perante o juiz presidente, Manuela Cabral disse não ter ouvido gritos e que do lixo que recolheu, não viu vestígios de sangue.

Tinha sensação que tinha alguma coisa nas pernas. Parecia mas não posso dizer que sim ou não. Mas parecia que tinha as pernas atadas. Parecia me por causa do movimento que ele fez. Não me recordo de ouvir gritos, nada. Do lixo que apanhei não vi sangue".  

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O cidadão ucraniano Ihor Homeniuk terá sido vítima, em março do ano passado, de violentas agressões por três inspetores do SEF, acusados de homicídio qualificado, com a alegada cumplicidade ou encobrimento de outros 12 inspetores.

Para o MP, os inspetores do SEF algemaram Homeniuk com os braços atrás do corpo e, desferindo-lhe socos, pontapés e pancadas com o bastão, atingiram-no em várias partes do corpo, designadamente, na caixa torácica, provocando a morte por asfixia mecânica.

A acusação critica os três arguidos e outros inspetores do SEF por terem feito tudo para omitir ao MP os factos que culminaram na morte do cidadão, no Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa, chegando ao ponto de informar o magistrado do MP que Homeniuk “foi acometido de doença súbita”.

Considera o MP que as agressões provocaram a Homeniuk dores físicas, elevado sofrimento psicológico e dificuldades respiratórias, que lhe causaram a morte, em 12 de março.

Além do crime de homicídio qualificado, os arguidos estão acusados de posse de arma proibida.