O curador e crítico de arte João Pinharanda será o novo diretor artístico do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, sucedendo a Beatrice Leanza, a partir de 01 de janeiro de 2022, anunciou esta terça-feira a Fundação EDP.

De acordo com a Fundação EDP, que tutela o museu, o historiador de arte já está, desde julho, a preparar a programação cultural do MAAT do próximo ano, num projeto que "passará por reforçar o lugar do museu no centro dos debates artísticos e culturais contemporâneos, na cidade, no país e internacionalmente".

O sucessor da curadora italiana Beatrice Leanza - que conclui o mandato como diretora executiva do MAAT a 31 de dezembro deste ano - é anunciado quatro dias depois de a Fundação EDP e de a Fundação de Serralves, no Porto, terem divulgado um memorando de entendimento que estabelece “uma parceria de longo prazo” para o ‘campus’ cultural da Fundação EDP em Lisboa, que passa a ser gerido por Serralves.

Inaugurado em 2016 com projeto da arquiteta britânica Amanda Levete, o MAAT é um dos espaços museológicos da Fundação EDP, em Lisboa, juntamente com a Central Tejo - Museu da Eletricidade, num conjunto designado por 'campus' cultural da entidade.

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Sobre a entrada de João Pinharanda para a direção do museu, indica hoje a Fundação EDP, num comunicado enviado à agência Lusa, que visa também "reforçar a presença de artistas e criadores nacionais de todas as áreas nesse debate" artístico e cultural contemporâneo.

João Pinharanda, 64 anos, foi programador da Fundação EDP entre 2000 e 2015, tendo sido criador e organizador do Prémios de Arte dinamizados pela instituição, nomeadamente o Prémio Novos Artistas Fundação EDP e o Grande Prémio Fundação EDP, tendo também participado na constituição da Coleção de Arte da Fundação EDP.

Entre 2016 e 2021, foi adido cultural da Embaixada de Portugal em Paris e diretor do Centro Cultural Português em Paris – Camões.

Nascido em Moçambique, em 1957, é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, e Mestre em História de Arte, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa, e fez ainda carreira como docente.

Por seu turno, Beatrice Leanza cessa funções no final do ano, depois de ter sido escolhida por convite, em 2019, num processo que envolveu entrevistas a vários candidatos.

Na altura, a Fundação EDP "optou por um perfil com um reconhecido percurso nas áreas da arte contemporânea, design e arquitetura, e uma larga experiência na gestão de projetos e de equipas", justificou a entidade, quando a curadora entrou no fim do contrato do arquiteto e designer português Pedro Gadanho, primeiro diretor do museu.

Quando da entrada de Beatrice Leanza, a Fundação EDP tinha também anunciado, na altura, uma alteração no organograma do MAAT, que passava a ter uma direção executiva e um conselho curatorial.

Segundo a Fundação EDP, a curadora colaborará ainda, em 2022, com o MAAT, na segunda parte da exposição “Earth Bits - Sensing the Planetary”, que incluirá o programa de investigação “Visual Natures: The Politics and Culture of Environmentalism in the XX and XXI Centuries”, com design da arquiteta brasileira Carla Juaçaba, que inaugurará em março, e na exposição de Didier Fiúza Faustino, prevista para outubro do mesmo ano.

Na sua passagem pelo MAAT, a curadora italiana "deixa um importante legado, quer na promoção de um frutuoso diálogo interdisciplinar que distingue os museus contemporâneos, quer no exercício de reflexão, através de várias formas de expressão criativa, sobre os temas críticos que marcam o nosso tempo", destaca a Fundação, sobre temas que urgiram o público a refletir sobre as alterações climáticas e a pegada ecológica humana.

De acordo com o memorando assinado entre a Fundação EDP e a Fundação de Serralves, divulgado na sexta-feira, com duração não especificada, “a parceria será concretizada na gestão e programação, por parte de Serralves, do Campus Cultural da Fundação EDP em Lisboa, juntando o MAAT e a Central Tejo ao Museu de Arte Contemporânea, à Casa e Parque de Serralves e à Casa do Cinema Manoel de Oliveira”.

A cultura continuará a ser um dos pilares de intervenção da Fundação EDP na comunidade, através da propriedade e apoio de mecenato ao Campus Cultural em Lisboa, ao qual se manterá igualmente vinculada, bem como do mecenato cultural a outras instituições e com a continuidade do Prémio Novos Artistas e do Grande Prémio Arte Fundação EDP, referências no panorama artístico português”, acrescentava o texto.

Em outubro passado, o MAAT cumpriu o quinto aniversário com um balanço de 1,28 milhões de visitantes e 85 exposições realizadas desde a inauguração.

O investimento total feito na programação do MAAT nos cinco anos de existência foi de 9,5 milhões de euros, segundo a Fundação EDP.

/ NM