O nono detido no âmbito do processo das armas de Tancos vai ficar em prisão preventiva e está indiciado por "crime de terrorismo internacional", segundo decisão do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

O nono suspeito, que foi detido esta quarta-feira pela Polícia Judiciária, está indiciado pela prática de crimes de associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas e terrorismo internacional.

Segundo o despacho do juiz João Bártolo, a que a agência Lusa teve acesso, o Tribunal de Instrução Criminal considera que há perigo de continuação da atividade criminosa, perigo de perturbação e da tranquilidade da ordem pública e perigo de perturbação do decurso do inquérito.

O arguido, que à data dos factos era militar em funções nos paióis do exército, será encaminhado para o estabelecimento prisional de Évora para evitar contactos com outros arguidos no mesmo processo detidos no estabelecimento prisional de Tomar.

O ex-militar é suspeito de ter vendido informações que facilitaram o roubo das armas.

O homem foi capturado horas depois de ter sido decretada a prisão preventiva a cinco dos oito arguidos, detidos segunda-feira.

Segundo disse à Lusa o advogado de dois dos arguidos, Carlos Melo Alves, esses oito arguidos estão indiciados por participar no furto de Tancos, mas nenhum estava indiciado por terrorismo internacional.

Quanto ao nono arguido, que foi detido pela Polícia Judiciária e que ficará em prisão preventiva, está indiciado por prática de crime de terrorismo internacional, segundo o despacho do juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado a 29 de junho de 2017.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do MP e da PJ, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.

Entre estes detidos está o diretor da PJM e um civil (que já foi militar), principal suspeito da prática do furto, encontrando-se ambos em prisão preventiva, num caso que levou à demissão de Azeredo Lopes do cargo de ministro da Defesa e cujas implicações políticas levaram à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que ainda não começou com as audições.

Em setembro, após a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada “Operação Húbris”, que levou às detenções, foi anunciada pelo CDS a comissão de inquérito, aprovada apenas com a abstenção do PCP e do PEV.

A comissão tem o prazo de 180 dias, até maio de 2019, prorrogável por mais 90, para chegar a conclusões.

A comissão de inquérito ao furto de material de militar de Tancos vai reunir-se duas vezes por semana e começa as audições às 63 personalidades em janeiro.