A Igreja Católica portuguesa negou esta quarta-feira que tenha ameaçado apelar ao voto contra o PS se este partido insistir em legalizar o casamento civil entre homossexuais, noticia a Lusa.

Uma nota emitida assegura que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) «sempre» evitou «confrontações» com órgãos de soberania ou partidos, no dia em que é noticiado que a cúpula da Igreja admite apelar ao voto contra o PS se o casamento entre homossexuais avançar.

«A Igreja Católica quer ser sempre factor de coesão e unidade», esclarece uma nota assinada pelo porta-voz da CEP, padre Manuel Morujão, publicada depois de vários jornais noticiarem que aquele elemento da estrutura eclesiástica admitira terça-feira um apelo da Igreja ao voto contra o PS nas três eleições que se realizam este ano.

A postura da Igreja passa por «evitar tudo o que seja desrespeito ou confrontação com os órgãos de soberania, partidos e outras forças sociais da Nação», refere a nota intitulada «Clarificação sobre a projectada Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa em favor do genuíno casamento».

«Votem em liberdade»

«A Igreja pede que os católicos votem em liberdade segundo a sua consciência, esclarecida pelos princípios e a moral cristãos», lê-se no texto enviado à agência Lusa.

Ressalva ainda que «move-se em favor de causas e valores, nunca contra ninguém nem contra qualquer grupo ou partido que se oriente por um ideário divergente ou mesmo oposto» ao da Igreja católica.

Manuel Marujão afirmara terça-feira em Fátima que o casamento entre pessoas do mesmo sexo «vai dividir os portugueses» e que há outras prioridades em que os políticos «se deveriam empenhar».

No final de uma reunião do Conselho Permanente da CEP, o secretário da instituição, padre Manuel Morujão, alertou que uma dessas prioridades é a «crise», assim como «dar os apoios que as famílias precisam para responder aos desafios actuais».

«Ameaça»

O porta-voz da CEP disse, também, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma «ameaça» à sociedade portuguesa.

«Quem propõe isto não quer ameaçar ninguém, mas é uma falácia, é um engano. É acenar com uma bandeira facilitista», sublinhou, admitindo que esta é «uma questão de vanguarda».

«Não sei se de direita ou de esquerda, mas acho que de vanguarda desfocada e que leva para um caminho errado, antropologicamente errado», afirmou o responsável, que questionou: «O que estamos a dizer às gerações que estão atrás de nós? Que sejam o que quiserem? Que escolham num menu de identidades aquilo que querem ser?».

Para o padre Manuel Morujão, tem de «haver dignidade e decência» nesta questão.

«[O casamentos entre pessoas do mesmo sexo] é uma ofensa ao casamento que é, por natureza própria, heterossexual», afirmou, admitindo que «as organizações da Igreja se movimentarão» para passar a mensagem defendida pelo episcopado português, «não contra ninguém, mas em favor de uma causa».
Redação / HB