O Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto (IBMC) anunciou, esta quinta-feira, ter desenvolvido um estudo que permite descobrir novas potencialidades nos glóbulos vermelhos, abrindo caminho para o controlo de leucemias.

O estudo, publicado na última edição da revista «Immunology and Cell Biology», contribui para uma melhor compreensão da função dos glóbulos vermelhos ao nível do sistema imunológico.

Segundo fonte do IBMC, a investigação demonstra que «certas substâncias libertadas pelos glóbulos vermelhos têm um papel importante na sobrevivência e proliferação dos glóbulos brancos em divisão».

«Há muito que é indiscutível entre a comunidade científica que a função principal dos glóbulos vermelhos passa pelo transporte de oxigénio e dióxido de carbono. Porém, estudos recentes associam os glóbulos vermelhos à regulação de outros processos fisiológicos como a contracção vascular, a agregação de plaquetas ou a proliferação de glóbulos brancos», referiu.

É nesta área que o grupo do IBMC, liderado por Fernando Arosa, tem trabalhado para «ajudar a perceber o papel dos glóbulos vermelhos na regulação do ciclo celular e na sobrevivência dos glóbulos brancos, em particular dos linfócitos T».

Para perceber o efeito regulador que os glóbulos vermelhos exercem sobre os linfócitos T em divisão, a equipa de cientistas procurou identificar os factores responsáveis por esse fenómeno.

O artigo agora publicado revela que, entre as várias substâncias que são libertadas pelos glóbulos vermelhos, um grupo restrito de natureza proteica desempenha «um papel activo na homeostasia (regulação biológica) dos linfócitos T, potenciando a sobrevivência e o crescimento daqueles».
Redação / CMM