A autoestrada mais importante do país, a A1 (Porto-Lisboa) não tem patrulhamento garantido. Por ausência de militares da GNR, há dias e zonas da A1 em que não existe presença de patrulhas. E, quando existe, apenas uma está disponível, pondo em causa a segurança rodoviária. Os dados são avançados esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias (JN).

Desde a extinção da Brigada de Transito em 2009, a Unidade Nacional de Trânsito não consegue atrair profissionais. No último concurso feito, só um terço das vagas foi preenchido. 

A falta de patrulhas é sentida ao longo dos 303 quilómetros da A1. As associações de militares têm vindo a alertar os superiores e o Governo. No Porto, por exemplo, as patrulhas demoram a chegar aos locais de acidentes e se existir mais do que um acidente em simultâneo, a situação piora. 

A falta de efetivos é flagrante. Quem faz Porto-Lisboa vê que o patrulhamento não existe. Em muitos dias da semana. Não é só ao domingo infelizmente", diz César Nogueira, Presidente da Associação dos Profissionais da Guarda.

 

Faço viagens em que não vejo uma única patrulha, nem para Norte, nem para Sul".

 

É claro para qualquer pessoa que anda na autoestrada que há falta de patrulhamento. Portugal tem dos mais baixos rácios de patrulhamento", afirma Manuel Ramos, da Associação dos Cidadãos Automobilizados, dizendo que "a distância média entre patrulhas, noutros países é de 25 a 30 quilómetros, e em Portugal é de 150".

Trânsito Pouco Atrativo 

Alem da diminuição dos efetivos depois da extinção da Brigada de Trânsito, são poucos os militares que querem ir para o Trânsito, visto que a compensação financeira não é a melhor. 

Muitos vinham para a Guarda para ingressarem na Brigada de Trânsito" relembra César Nogueira. "Antigamente, havia um concurso para 100 militares e apareciam mil. Agora, não há elementos suficientes para as vagas", corrobora José Alho, presidente da Assembleia Geral da ASPIG (Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda), em declarações ao JN, dando como exemplo um concurso recente em que, "para 41 vagas, só ficaram 15. E dos que ficaram, nove são dos PALOP e dois de Timor". 

A explicação estará, de acordo os sindicalistas, nos complementos pagos que, no Trânsito, não chegarão aos 60 euros e noutras valências ultrapassam os 200.