O ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, defendeu esta segunda-feira o alargamento do recrutamento nas forças de segurança para aumentar o número de mulheres agentes.

Após se reunir com a Comissão para a Igualdade de Género e Não Discriminação da Guarda Nacional Republicana (GNR), o ministro defendeu, em declarações à Lusa, que pretende promover nas forças de segurança “designadamente da GNR, o alargamento do recrutamento”, e que este passa pelo objetivo que foi definido para 2021, de incluir nas regras de admissão indicadores mínimos de 15% de mulheres na incorporação da GNR e de 20% da PSP.

Os 15% definidos para a GNR traduzem-se numa “elevação quase para o dobro” comparativamente com a situação atual, esclareceu Eduardo Cabrita.

Estamos muito perto de ter as primeiras oficiais em condições de promoção ao posto de coronel. Daqui a uns anos teremos eventualmente a primeira mulher a ser oficial-general da GNR”, antecipou no dia em que se assinala o Dia Internacional da Mulher.

O MAI considera que ao longo de pouco mais de duas décadas foi percorrido “um caminho notável” que permitiu a integração atual de mais de duas mil mulheres na GNR e que “é necessário prosseguir este caminho, garantir não só a atração para a carreira, mas também as condições de igualdade”.

A tenente-coronel, Cristina Pereira, está na GNR há mais de 20 anos e garante que o caminho percorrido, “ainda curto”, tem “corrido muito bem com a aceitação e apoio de todos os camaradas” mas, “como é natural, ainda há ações corretivas a fazer”.

A adequação geral da legislação à condição militar e à legislação militar que rege a GNR tem sido discutida internamente, a Guarda tem igualdade de oportunidades para homens e mulheres, mas depois no exercício da paternidade e da maternidade há questões a discutir para que essa igualdade de oportunidades seja garantida”, esclareceu.

A GNR recebeu pela primeira vez mulheres na sua estrutura em 1994, atualmente tem 33 em funções de comando - 18 estão a comandar destacamentos territoriais e na Unidade de Controlo Costeiro, enquanto outras 15 comandam postos territoriais.

No final de 2020 havia 3.511 mulheres nas forças de segurança: 1.625 militares na GNR, 1.622 polícias na PSP e 264 inspetoras no SEF – número que correspondia a 8% do efetivo total das três estruturas policiais, enquanto ao nível da Proteção Civil havia 22% de mulheres no universo dos bombeiros portugueses.

A Comissão para a Igualdade de Género e Não Discriminação da GNR, constituída por 12 homens e mulheres que prestam serviço em diferentes órgãos e comandos da Guarda, foi criada em 2019 “para estimular a adequação das melhores práticas para a integração da perspetiva de género, motivando a implementação de medidas que impliquem uma representação equilibrada de homens e mulheres nas esferas de tomada de decisão e de apoio à conciliação da vida profissional, familiar e pessoal”.

O Dia Internacional da Mulher é celebrado anualmente, no dia 8 de março e serve para lembrar as vitórias das mulheres, como o direito ao voto, e a luta contra o preconceito e desigualdade de género.

. / JGR