Para o ministro da Saúde, a greve da função pública é algo natural, tendo em conta que é um direito cívico colocado em prática. Adalberto Campos Fernandes garante que desconhece até ao momento o seu impacto na saúde. Os sindicatos falam numa adesão de 90% no setor, e de 75% em termos gerais, a nível nacional.

Não tenho informações oficiais a não ser o que tenho visto nos jornais. Normal, é uma expressão sindical generalizada afeta a setores como a educação a saúde e administração pública, expressão normal de um direito cívico”.

O ministro falava aos jornalistas no final de uma cerimónia de inauguração das novas instalações do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), no Parque de Saúde Pulido Valente, em Lisboa. Questionado sobre o impacto na saúde, nomeadamente o adiamento de consultas e cirurgias, reconheceu que isso o preocupa e que tem dito às equipas para compensarem esse tempo.

Claro que me preocupa. E claro que temos com os utentes uma preocupação. Temos dito às equipas nos hospitais para que haja uma compensação desse tempo. Mas quem convoca greves não é o Governo, o Governo limita-se a cumprir o que a constituição determina, que é respeitar o direito à greve”.

Relativamente à dimensão do impacto da greve, o ministro garantiu não ter esses dados.

BE alerta que greve é aviso ao Governo do PS

A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, não tem dúvidas e classificou a greve como um aviso dos trabalhadores ao governo do PS no sentido da reposição de direitos perdidos.

“Tudo indica que há uma boa adesão à greve da Função Pública. Nas escolas, essa adesão está a ser muito expressiva. Este é um sinal claro ao governo de que o país reconhece os passos que foram dados mas acha que há muito mais para fazer, para recuperar rendimentos e cumprir a expectativa”, disse aos jornalistas Joana Mortágua.

A deputada do Bloco de Esquerda esteve presente na conferência de imprensa sobre a greve da Função Pública, frente ao Liceu Passos Manuel, em Lisboa, em que estiveram o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e dirigentes da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Joana Mortágua recordou que os trabalhadores da Administração Pública tiveram uma "longa década" de cortes nos direitos e nos vencimentos e que muitos têm os salários congelados desde 2009.

Para a deputada, apesar de “já ter havido uma recuperação”, nomeadamente nos cortes diretos no rendimento, há um conjunto de matérias - como o congelamento das carreiras - que os trabalhadores querem ver resolvidas.

“É uma promessa do governo; está no programa do governo; está nos acordos que o governo fez com o Bloco de Esquerda e é importante que o governo dê um conjunto de sinais aos trabalhadores da Administração Pública”, frisou.

 

O que reinvindicam os funcionários públicos

Convocada pela FNSTFPS – Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, a greve nacional de hoje foi anunciada no início de abril para reivindicar aumentos salariais, pagamento de horas extraordinárias e as 35 horas de trabalho semanais para todos os funcionários do Estado.

O regime das 35 horas foi reposto em julho de 2016, deixando de fora os funcionários com contrato individual de trabalho, sobretudo os que prestam serviço nos hospitais EPE.