A utilização de produtos específicos para eliminar o vírus de grandes superfícies, como ruas, não é recomendada porque não é eficaz e tem efeitos negativos na saúde das pessoas e ambiente, disse, este domingo, a diretora-geral da Saúde.

Não está provado que seja eficaz utilizar desinfetantes em grandes superfícies, como ruas, mas pelo contrário não terá grande eficácia sob o vírus. Aliás, numa grande superfície, como estradas, ruas ou passeios, a probabilidade de lá existir este tipo de vírus é pequena, dado o tipo de transmissão que, teria, de passar de uma pessoa infetada para o solo”, afirmou Graça Freitas, na conferência de imprensa relativa à pandemia da covid-19.

E, como alguns produtos que são utilizados podem ter efeitos negativos não só no ambiente, mas na saúde das pessoas, a DGS não recomenda a sua utilização, vincou.

Contudo, algo diferente, frisou, são as medidas de limpezas habituais das câmaras com os métodos habituais.

Contra a higienização da via pública não temos nada contra”, realçou.

Além disso, Graça Freitas explicou que a desinfeção de superfícies, como mesas, armários ou equipamentos, onde o vírus possa existir em grandes quantidades é indicada e não tem efeitos contraindicados.

Pulverizar ou fumigar desinfetante nas ruas, como alguns países estão a fazer para combater a pandemia de covid-19, não elimina o vírus e coloca riscos sanitários, advertiu a Organização Mundial de Saúde (OMS), no sábado.

A pulverização ou fumigação de espaços exteriores, como ruas ou mercados, não é recomendada para destruir o novo coronavírus ou outros agentes patogénicos porque é inativada pela sujidade", explica a OMS num documento sobre a limpeza e desinfeção das superfícies no quadro do combate à pandemia.

A OMS acrescenta que "mesmo em caso de ausência de matérias orgânicas, é pouco provável que a pulverização química cubra corretamente todas as superfícies durante o tempo de contacto necessário para inativar os agentes patogénicos".

DGS vai emitir duas novas orientações sobre grávidas e recém-nascidos 

A diretora-geral da Saúde adiantou ainda que “nas próximas 24 ou 48 horas” vão ser emitidas duas novas orientações relativamente ao acompanhamento de grávidas e recém-nascidos, depois de uma consensualização entre as especialidades de obstetrícia e neonatologia.

“Provavelmente, nas próximas 24 ou 48 horas sairão duas novas orientações porque separamos os procedimentos das grávidas, seguidas em obstetrícia, e os procedimentos do recém-nascido, acompanhados pela neonatologia”, afirmou na conferência de imprensa relativa ao ponto da situação da Covid-19 em Portugal.

Graça Freitas afirmou que houve “nuances” que foi preciso consensualizar entre obstetrícia e neonatologia porque, exemplificou, pode acontecer uma grávida ter testado positivo à Covid-19 e o recém-nascido não, logo a mãe tem de ficar internada e o bebé não.

Pegando nesta caso, a diretora-geral disse que, depois, é necessário estabelecer o seguimento a dar à criança, que tipo de testes deve fazer e com que periodicidade, daí a criação de novas orientações.

Já sobre a possibilidade de o acompanhante da mulher poder ou não assistir ao parto, Graça Freitas vincou que a “última decisão” será sempre da equipa médica.

A maior parte dos hospitais portugueses que considera ter condições para que o acompanhante assista está a permitir, os restantes não, reforçou.

Ainda sobre esta temática, e relativamente à retoma das consultas de fertilidade, a diretora-geral salientou que essas serão feitas dentro dos termos da retoma das atividades das unidades de saúde.

Portugal contabiliza 1.218 mortos associados à covid-19 em 29.036 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 15 mortos (+1,2%) e mais 226 casos de infeção (+0,8%).

/ Publicado por MM