A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Ministério da Saúde fizeram este sábado a atualização da situação de Covid-19 em Portugal.  A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou que a pandemia de Covid-19 em Portugal está em fase de planalto.

Aquilo que se mantém em termos de constatação geral é que estamos numa fase de planalto. No entanto, todos estes resultados, como temos sublinhado ao longo dos últimos dias, são ainda dados muito preliminares e devem ser interpretados com cautela”, disse a ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa na Direção-Geral da Saúde (DGS).

A ministra pediu também aos portugueses a continuação do esforço na redução da transmissão.

Há aqui um aspeto inequívoco do qual não nos podemos distrair. Todos os nossos esforços precisam de continuar a ser no sentido de reduzir a transmissão”, disse, sublinhando a importância da “correta transmissão das mensagens de saúde pública” e apelando “à ajuda de todos”.

Sobre a discrepância entre os casos confirmados do boletim epidemiológico e os números de testes fornecidos pelo Instituto Ricardo Jorge (INSA), a ministra da Saúde esclareceu que "um caso confirmado poderá corresponder a mais que um teste positivo".

Não devemos estranhar que haja um número de testes com resultado positivo superior ao número de casos", explicou Marta Temido.

A governante justificou ainda o número elevado de novos casos registados no boletim de sexta-feira com um “pico” de notificações em atraso na vertente médica do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (Sinave). Recorde-se que, segundo o balanço feito na sexta-feira pela DGS, Portugal tinha registado 1.516 novos casos, o maior aumento em termos absolutos desde a confirmação dos primeiros casos, no dia 2 de março.

“Como não houve nem 1.000 nem 1.500 amostras positivas nos últimos dias, estávamos perante algo que indiciava ser um pico de notificações de casos confirmados e que não estariam, até ontem [sexta-feira], notificados no Sinave médico.”

Marta Temido explicou que o balanço diário da DGS reflete os dados que são introduzidos nas duas vertentes do Sinave, uma laboratorial e uma médica, e por vezes pode haver um atraso na atualização dos dados da vertente médica em relação à laboratorial.

O facto de o resultado laboratorial estar confirmado na vertente laboratorial não quer dizer que (essa informação) já tenha sido integrada na vertente médica e isto pode traduzir alguma flutuação daquilo que são os nossos números”, precisou.

A ministra da Saúde aproveitou a explicação para reforçar a necessidade de interpretar os dados da DGS com “cuidado e compreensão”, alertando que essa informação, que é volátil e dinâmica, pode nem sempre refletir a exata realidade.

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O número de mortes por Covid-19 em Portugal subiu para 470 nas últimas 24 horas, com 15.987 infetados em todo o país, revela o relatório epidemiológico da Direção-Geral da Saúde divulgado este sábado. 

Há também 266 casos de doentes já recuperados.

Estado assegura custos no privado se doentes forem encaminhados por SNS

A ministra da Saúde afirmou hoje que o Estado só vai assegurar os custos de tratamento dos doentes infetados com o novo coronavírus nos hospitais privados nos casos encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).

Sempre dissemos que a porta de entrada é desejavelmente o SNS 24 e, portanto, não faria sentido que utilizássemos agora um entendimento distinto daquele que sempre temos utilizado”, disse Marta Temido na conferência de imprensa de atualização sobre a pandemia da covid-19.

Numa reportagem da SIC transmitida na sexta-feira à noite, a administradora dos Lusíadas afirmou que o hospital vai cobrar ao Estado o custo de internamento, testes e exames de todos os utentes que sejam diagnosticados com covid-19, mesmo que não sejam encaminhados pelo SNS.

Questionada sobre as declarações do hospital privado, a ministra explicou que as cláusulas contratuais, homologadas esta semana, dos acordos de adesão com os setores privados e social preveem que as entidades que operam nestes setores possam integrar a resposta à pandemia, desde que essa necessidade seja confirmada pelas entidades hospitalares e pelas administrações regionais de saúde.

Isto significa que os custos associados ao diagnóstico e tratamento dos doentes são assegurados pelo Estado sempre que as pessoas forem encaminhadas pelo SNS, mas não se procurarem por iniciativa própria os privados.

O que ninguém entenderia certamente era que o Serviço Nacional de Saúde, de um momento para o outro, fosse também responsável financeiramente por aquilo que têm sido os atendimentos dos utentes que pela sua livre vontade, por sua iniciativa, escolheram dirigir-se a um prestador privado”, considerou Marta Temido.

A ministra da Saúde acrescentou ainda que esta solução, assente nos contratos de adesão, tem sido discutida em articulação com os setores privado e social desde que se confirmaram os primeiros casos em Portugal, e é uma alternativa preferível à “eventual necessidade de requisição”.

Rafaela Laja / MM - atualizada às 16:43