Portugal tem um índice de incidência da covid-19 de 760 novos casos por cada 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. Um valor muito acima dos 240 por cada 100 mil habitantes tomados pelo Governo para decretar medidas mais assertivas de combate à pandemia em cada concelho.

O valor anunciado esta segunda-feira por Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, na conferência de imprensa que faz o balanço da evolução da pandemia, coloca Portugal em 10º lugar no ranking europeu da incidência da pandemia. A incidência é maior entre os mais jovens, sobretudo nas faixas etárias entre os 20 e os 39 anos.

"Há, como todos sabem, assimetrias regionais. A região norte, com 1.304 casos por 100 mil habitantes, continua a ser a região a mais afetada", precisou a responsável.

O anúncio foi feito no dia em que Portugal bateu o recorde do número de mortos por covid-19, registando 91 óbitos e quase 4 mil novos casos.

Graça Freitas anunciou ainda que Portugal ultrapassou, no último sábado, a barreira dos 4 milhões de testes PCR realizados desde o início da pandemia. Um milhão desses testes foram realizados no último mês. A taxa de positividade situa-se nos 15,3%.

Novo sistema de vigilância epidemiológica em vigor

Graça Freitas anunciou também que entrou em vigor, esta segunda-feira, um novo sistema de vigilância epidemiológica, o BI SINAVE, que se traduz numa versão mais evoluída do SINAVE, o atual sistema de vigilância.

O novo sistema responde a uma tentativa de “melhorar os sistemas de comunicação” e resulta de um trabalho conjunto entre a Direção-Geral de Saúde (DGS) e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). De acordo com Graça Freitas, o BI SINAVE permite "recolher e analisar um volume cada vez maior de dados e comunicar a informação de forma mais rápida e com melhor qualidade e detalhe".

“É um sistema mais avançado e robusto para o tratamento dos dados e do visionamento de informação relevante para o combate à pandemia covid-19, com maior capacidade para tratar informação constante das bases de dados. (…) O BI SINAVE é um sistema dinâmico, mais sensível e mais capaz de detetar as notificações, designadamente laboratoriais fazendo-as refletir na evolução da pandemia”, explicou Graça Freitas.

Cautelas em relação à vacina

Na mesma conferência de imprensa Graça Freitas mostrou-se cautelosa em relação às notícias sobre os resultados das vacinas, nomeadamente em relação à vacina da Moderna, que anunciou uma eficácia que pode superar os 94%.

“Quanto mais vacinas seguras, eficazes e de qualidade existirem no mercado, melhor. (…) Interessa que façam efeito e que essa efetividade tenha uma duração longa. Estamos numa fase muito inicial dos ensaios e há ainda muitas incógnitas”, lembrou a diretor-geral de Saúde.

Ainda sobre as vacinas, a responsável da DGS sublinhou que o que menos contará, em eventuais aquisições de vacinas será o seu preço. Graça Freitas recordou que a eficácia e a segurança das vacinas variam consoante diversos fatores, nomeadamente a idade dos doentes e a qualidade do seu sistema imunitário. Por isso, na avaliação de cada eventual compra, serão tidos em conta sobretudo fatores relacionados com a segurança e a eficácia.

Graça Freitas anunciou também que “todas as ARS estão em processo de contratação e formação contínuo de mais recursos” para trabalhar nos inquéritos epidemiológicos e no acompanhamento dos casos e dos contactos identificados. A diretora-geral de Saúde lembrou que cada caso gera no mínimo 10 contactos a necessitarem de acompanhamento, podendo chegar aos 40. O que gera “um volume de trabalho enorme” para as autoridades locais de saúde.

Instituto Ricardo Jorge atento a variantes do SARS-Cov-2

Graça Freitas revelou ainda que a DGS tem equipas alocadas para o acompanhamento de surtos em lares de idosos, já que a população idosa continua a ser a que mais preocupa as autoridades de saúde, quer pela sua vulnerabilidade, quer pela gravidade do diagnóstico. Embora, sublinhe, a “infeção tanto ocorre em lares como na comunidade”.

Questionada sobre as variantes do vírus que têm sido detetadas noutros países, Graça Freitas diz que “as mutações do vírus têm sido inúmeras” e que “o Instituto Ricardo Jorge tem acompanhado essas mutações do vírus e as suas implicações na doença”. Realça, contudo, que “até agora, não se tem verificado uma grande implicação das mutações do vírus na doença”.

Relativamente à nova variante às mutações deste vírus, que têm sido inúmeras. O Instituto Ricador Jorge tem acompanhado as mutações do vírus e as implicações que têm na doença. Até agora, não se tem verificado uma grande implicação das mutações do vírus na doença.

Manuela Micael