Adriana Batista é educadora de infância e mãe de dois filhos. Em novembro do ano passado, sem que nada o fizesse prever, é detida pela Guarda Nacional Republicana (GNR) à porta de casa. Na presença de um juiz de instrução criminal é confrontada com suspeitas de agressão e perseguição ao ex-companheiro, agente da Polícia de Segurança Pública (PSP). No próprio dia, o Tribunal de Sintra decidiu aplicar a medida de coação mais gravosa, prisão preventiva.

Assim começou um verdadeiro calvário para esta mulher: foi levada para a prisão de Tires, onde passou o aniversário, o Natal e a passagem de ano.

Quatro meses depois, o Tribunal da Relação de Lisboa declara que a prisão foi ilegal, que houve “manifestamente falta de investigação” e os factos acabam por revelar que a vítima é Adriana, que terá vivido uma relação abusiva durante quase dois anos com o agente que, curiosamente, trabalha na área da investigação criminal.

A TVI contactou o Ministério Público e o Conselho Superior da Magistratura que, até à data da emissão da reportagem, não responderam às nossas questões. Já a PSP afirma que “tem conhecimento que o cidadão em apreço foi alvo de uma queixa-crime” e que “por força da sua condição policial, em paralelo, encontra-se a decorrer uma investigação de cariz disciplinar”.

Já o comissário, remeteu para o advogado, que disse à TVI que o seu constituinte “quer fazer uso da integral presunção de inocência” e recusou prestar declarações.

“Reclusa Nº24” conta assim a história de uma vítima de violência doméstica que acabou atrás das grades. Hoje, Adriana vive para lutar pela verdade e pela justiça que lhe foi retirada.

Márcia Sobral