Pedro Campos, pai de Maria, a bebé que nasceu com várias malformações que não foram detetadas na gravidez, foi um dos convidados do debate do program "Ana Leal" desta terça-feira.

O pai manifestou a sua tristeza por a sua família ser notícia pelos piores motivos e por ter de recorrer à comunicação social para ter respostas sobre o caso de Maria.

Só com denúncias em praça pública é que as coisas têm andamento", disse ao ter a resposta de que o Bastonário dos Médicos irá divulgar o seu parecer nos próximos dias.

Pedro Campos explicou todo o processo a que a família esteve submetida para que se consiga fazer justiça. 

Se os médicos sentem que não sofrem consequências, a medicina não melhora", disse.

O pai disse que Maria já se começa a aperceber da sua situação e que a família tem tentado dar-lhe toda a força possível.

Temos que lhe dar muita força, muito apoio psicológico. Temos de lhe explicar que ela é diferente, mas que não é inferior aos outros", afirmou.

Diana Saraiva, mãe de Lucas, um menino que nasceu com malformações que não foram detetadas na gravidez, foi outra das convidadas do debate.

A mãe disse que foi detetada uma dilatação no rim de Lucas de 6 milímetros na primeira ecografia que durou cerca de meia hora.

Como já foi há sete anos, achei estranho, mas confiei. A gente acha que é prática comum", disse.

A clínica visada desmentiu o testemunho de Diana Saraiva, mas recusou comentar os relatórios e imagens entregues à família de Lucas que confirmam que os exames duraram entre dois minutos e cinco minutos.

Não sei como é que eles conseguem dormir descansados, sabendo que estão a dizer uma verdadeira mentira", afirmou Diana que admite que existiam dezenas de mulheres a frequentar a clínica em questão.

Amadeu Ferreira, diretor clínico do Centro Ecográfico de Entrecampos, também comentou a investigação sobre os dois casos de malformações que não foram detetadas na gravidez.

Amadeu Ferreira disse que as ecografias devem demorar uma hora e destacou que estudos estatísticos dizem que só é possível visualizar 70 a 85% das anomalias.  

Sobre os casos em questão, Amadeu Ferreira disse que há pormenores que os médicos deviam ter visto.

Francisco Gaivão, presidente da Sociedade de Ecografia Médica, também participou no debate e disse que enviou um documento ao Bastonário dos Médicos a pedir para que as competências no diagnóstico médico sejam atribuídas pela Ordem dos Médicos através da delegação de poderes nos colégios da especialidade.

O debate também contou com a intervenção de Álvaro Cohen, presidente da Associação de Diagnóstico Pré-natal, que defendeu que há situações que não são diagnosticáveis em ecografias.

Há situações que são diagnosticáveis e há situações que não o são", disse, explicando que existe um risco de malformações durante a gravidez de 2%.