A falta de combustíveis já afeta hoje Vila Real de Santo António, junto à fronteira com Espanha. A pior diz respeito ao gasóleo, com postos já esgotados, que só conservam reservas para serviços mínimos.

A Lusa percorreu esta quarta-feira de manhã vários postos de abastecimento de combustíveis junto à fronteira entre o Algarve e a região espanhola da Andaluzia para perceber os efeitos da greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas na zona.

Há postos com algum gasóleo, mas as reservas já estão a acabar, e nos poucos onde ainda há esse combustível já há filas de automobilistas à espera para abastecer.

Rolando Mateus é gerente de um posto de combustível na avenida marginal de Vila Real de Santo António, a localidade mais próxima da fronteira, e disse à agência Lusa que “o gasóleo já esgotou” e “só há gasolina” nos tanques.

Mas não acredito que a gasolina vá esgotar. Habitualmente a gasolina já pouco se vende, porque as pessoas costumam abastecer em Espanha, onde é mais barato, e até nem acredito que a gasolina vá esgotar aqui, porque as pessoas habitualmente já se deslocam ao outro lado da fronteira e praticamente já pouco a vendemos”.

Questionado sobre a conservação de reservas para situações previstas nos serviços mínimos, a mesma fonte respondeu que “há ainda algum gasóleo, mas para emergências”, como o abastecimento de ambulâncias.

Junto ao posto de combustível de uma superfície comercial, a situação já era mais complicada, com várias pessoas à espera na fila para abastecer e já só havia gasóleo numa das quatro bombas em serviço.

Questionado sobre a razão por que não ia a Espanha abastecer, um condutor disse que “o carro está com a reserva já muito em baixo e não conseguia chegar lá”, porque tinha de fazer pelo menos 12 quilómetros para lá chegar.

Outro condutor, Luís Saleiro, é que, ao chegar ao fim da fila, decidiu que não tentava mais abastecer em Vila Real de Santo António. “Vou para Espanha, já andei às voltas e não espero mais. Ali não há greve, os tanques estão cheios e não temos de esperar”, disse, antes de arrancar com destino a Ayamonte (Espanha), onde muitos portugueses aproveitam os preços para abastecer os carros.