Os técnicos de diagnóstico e terapêutica iniciam, nesta quarta-feira, uma greve por tempo indeterminado, contra a desatualização da carreira, e vão manifestar-se a partir das 15:00, em frente ao Ministério da Saúde.

Os profissionais alertam que a greve irá afetar “praticamente todos os serviços de saúde, com especial incidência nos blocos operatórios, altas e internamentos hospitalares”, ou diagnósticos diferenciados.

Os técnicos, segundo um comunicado do sindicato do setor, protestam contra a desatualização da carreira, “sendo atualmente o único grupo de licenciados do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que não tem uma carreira compatível com o seu nível de qualificação”, e dizem que o Ministério da Saúde quer recomeçar do início um processo de revisão de carreira que começou em 2014.

A direção nacional do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica considera que a situação dos profissionais assume “contornos de rutura”, verificando-se que “mais de 55% dos profissionais não têm qualquer carreira ou instrumento de regulação coletiva do trabalho”.

O sindicato estima que, dentro de dois anos, 70% dos profissionais não tenha uma carreira profissional e diz que, “objetivamente, o Governo não cumpre as suas promessas de promoção da contratação coletiva, relegando os técnicos superiores das áreas de diagnóstico e terapêutica a mera mercadoria do SNS, remunerada ao nível dos saldos mais básicos”.

A área de trabalho abrange 22 profissões, três delas por regulamentar, em áreas como análises clínicas, radiologia, fisioterapia, farmácia ou cardiopneumologia, num total de cerca de dez mil profissionais.

A greve foi anunciada no início do mês, quando o sindicato avisou que só a suspenderia com a conclusão do processo negocial com o Governo.

Há mais de um mês o Sindicato chegou a ter convocada uma greve nacional de cinco dias, que depois acabou por desmarcar na sequência de um compromisso assumido pelo Governo.

Adesão acima de 80%

O primeiro dia de greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica está a registar uma adesão superior a 80% a nível nacional, segundo o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica.

“A greve superou as nossas melhores expetativas. Ainda não temos números finais, mas em termos nacionais a adesão estará bastante acima dos 80%. Há uma paralisação praticamente total na generalidade dos hospitais”, afirmou à agência Lusa o presidente do Sindicato.

Almerindo Rego foi contactado esta manhã pelo secretário de Estado da Saúde, que terá manifestado o interesse do Ministério em concluir o processo negocial, faltando um entendimento com o Ministério das Finanças.

Para o Sindicato, o Governo tem todas as condições para terminar hoje mesmo com a greve decretada por estes profissionais, fazendo publicar de imediato o estatuto de carreira e aplicando os referenciais salariais já legislados.

O sindicato diz aceitar que as questões salariais produzam efeito só a partir de janeiro de 2018.

“Vamos estar concentrados frente ao Ministério. Se o Ministério quer resolver o assunto, estamos disponíveis para o fazer de imediato”, afirmou o dirigente sindical.

Redação / CM - notícia atualizada às 13:00