Dezenas de auxiliares de ação médica estão concentrados desde as 15:00 desta sexta-feira em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, a protestar pela “gritante injustiça” de não terem uma carreira específica.

Os profissionais, que esta sexta-feira cumprem um dia de greve nacional, vão entregar no Ministério da Saúde um abaixo-assinado a exigir a criação de uma carreira de técnico auxiliar de saúde, documento que conta com mais de seis mil assinaturas, segundo Sebastião Santana, coordenador para a saúde da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Segundo disse à Lusa o dirigente sindical a greve está a registar uma adesão superior a 90% nos principais centros hospitalares públicos do país.

Sem nós não há saúde” ou “Não somos descartáveis” são algumas das frases exibidas nos cartazes empunhados pelos profissionais em protesto.

Os trabalhadores de ação médica sublinham que um profissional no início da carreira ganha apenas o salário mínimo nacional e que “milhares de trabalhadores” foram remetidos para uma carreira geral que não contempla as funções específicas que exercem no apoio aos utentes e no auxílio à prestação de cuidados.

O protesto frente ao Ministério da Saúde tem sido bastante ruidoso e acompanhado em permanência por palavras de ordem como “A carreira é um direito, sem ele nada feito”, “Ministra, escuta, os auxiliares estão em luta” ou também “Mentirosos, mentirosos”, acompanhadas por buzinas e apitos.

Auxiliares a trabalhar no SNS há mais de 10 ou 20 anos têm salário que ronda os 600 euros

Auxiliares de ação médica que trabalham no Serviço Nacional de Saúde há 10 ou 20 anos recebem salários entre os 585 e os 609 euros e reclamam a criação de uma carreira específica.

Fernanda Ferreira é auxiliar de ação médica há 26 anos num hospital público do Norte do país e até este mês recebia 609 euros brutos.

Gostava de ver ministros da Saúde num hospital para perceberem quem os ajudaria e auxiliaria, quem lhes daria um copo de água ou os ajudava no banho”, desabafou à agência Lusa Fernanda Ferreira, enquanto participava na concentração frente ao Ministério da Saúde.

Também presente no protesto, Sandra Freitas, trabalha há 10 anos como auxiliar no Serviço Nacional de Saúde, e tem um vencimento de 585 euros até este mês, antes da concretização do aumento do salário mínimo, cumprindo turnos e fazendo fins-de-semana.

Não há respeito pelos auxiliares. Nem da parte do Ministério nem da parte dos outros colegas e profissionais de saúde”, comentou à Lusa.

Ana Silva, auxiliar que também recebe o salário mínimo, queixa-se igualmente da falta de união dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde e lamenta que não se compreenda que os auxiliares de ação médica têm funções específicas e, como tal, deviam ter uma carreira própria.