A CGTP marcou esta quinta-feira uma semana de luta descentralizada, para decorrer entre os dias 07 e 11 de dezembro, em defesa de aumentos salariais generalizados, redução do horário de trabalho e emprego com direitos.

A decisão foi tomada na reunião do Conselho Nacional da Intersindical, que se realizou no salão da Voz do Operário, em Lisboa, para garantir o distanciamento social entre os cerca de 100 participantes.

A semana de “Ação e Luta em todos os sectores” vai ter como lema “Proteger os trabalhadores! Aumentar salários! Garantir direitos!” e como sub-lema “Em luta pelo emprego com direitos, contratação coletiva, 35 horas, reforço dos serviços públicos”.

Segundo a resolução aprovada pelo Conselho Nacional (CN), a iniciativa tem como objetivo "dar força e expressão à ação reivindicativa nos locais de trabalho, [...] com plenários, concentrações, manifestações e greves, em torno das reivindicações concretas dos trabalhadores dos diversos sectores de atividade, [...] em todos os distritos e regiões autónomas".

Esta será uma semana de luta que abrangerá todos os setores, que mostrará a intensificação da luta nos locais de trabalho e nas empresas, em defesa das justas reivindicações dos trabalhadores", disse à agência Lusa a secretária geral da Inter, Isabel Camarinha, no final da reunião do Conselho Nacional.

Para a sindicalista, o aumento geral dos salários e das pensões, a segurança no emprego, a dinamização da contratação colectiva, a redução dos horários de trabalho, o incremento da produção nacional e a aposta no papel do Estado para o desenvolvimento de Portugal são reivindicações justas, que "não só mantêm como ganham ainda mais atualidade e premência".

É preciso dar resposta aos problemas dos trabalhadores, da população e do país", defendeu.

Segundo Isabel Camarinha, a proposta de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) "não responde às propostas que a CGTP-IN tem apresentado no sentido de promover uma mudança de rumo que garanta as necessidades dos trabalhadores e do país".

Reconhecendo que a proposta de OE contem algumas medidas que, "de forma muito insuficiente", vêm ao encontro das reivindicações da central sindical, a líder da Inter considerou fundamental que, na fase da discussão ainda em curso, se introduzam no documento alterações que valorizem o trabalho e os trabalhadores, que assegurem o apoio à recuperação económica e ao desenvolvimento do país, medidas de garantia do emprego, de investimento nos serviços públicos e das Funções Sociais do Estado.

No atual contexto de pandemia, ganha particular relevância a dotação do Serviço Nacional de Saúde dos meios materiais e humanos necessários, com o reforço financeiro capaz de garantir os cuidados de saúde indispensáveis à população, nomeadamente os cuidados primários por forma a garantir a prevenção da doença (não apenas a covid-19) e a promoção da saúde", disse Isabel Camarinha.

O aumento dos salários em 90 euros para todos os trabalhadores, o aumento das pensões, a fixação do salário mínimo nacional nos 850 euros a curto prazo, o combate à precariedade, a valorização das carreiras e profissões, a exigência do cumprimento e da reposição de direitos, a revogação das normas gravosas da legislação laboral, a reposição da idade legal de reforma nos 65 anos, são as principais reivindicações da CGTP.

/ RL