A adesão à greve, esta quinta-feira, dos enfermeiros do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental chegou aos 100% na urgência pediátrica do Hospital São Francisco Xavier e no bloco de oftalmologia do Egas Moniz, segundo o sindicato. Já no Hospital da Cruz Vermelha rondou os 75% e os 90%.

De acordo com os dados disponíveis pelas 10:45, no Hospital São Francisco Xavier a unidade de cuidados intensivos tinha 70% de adesão, a urgência geral 60%, o hospital de dia de oncologia 75%.

No Egas Moniz, o bloco operatório estava com 75% de adesão, a unidade de cirurgia ambulatória 80%, a consulta de dermatologia 80% e as técnicas de gastro 60%.

O Hospital da Cruz Vermelha, registou no turno da noite 90%, e no turno da manhã 75%.

Em declarações à Lusa, em frente ao Hospital São Francisco Xavier, Isabel Barbosa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) lembrou que “os enfermeiros são responsáveis e asseguram sempre os cuidados mínimo a prestar à população".

Disse ainda que estes profissionais estão "a reivindicar o descongelamento prometido por este governo PS".

Foi anunciado que todas as carreiras da Administração Pública iam ser desbloqueadas e a verdade é que, se virmos instituição a instituição, isto não se verifica".

 

Neste centro hospitalar a maioria dos enfermeiros não tem os pontos suficientes para progredir e já deveriam ter (...) estamos a falar de enfermeiros com mais de 20 anos de exercício que, neste momento, não têm condições para progredir, estão na primeira posição remuneratória da carreira e poderão continuar assim nos próximos anos", acrescentou.

A sindicalista explicou que os enfermeiros iam entregar à administração do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental um "presente de Natal" com 600 assinaturas a recordar as reivindicações destes profissionais e exigir a "imediata aplicação" das normas e regras relativas ao descongelamento das progressões.

Já o dirigente sindical Fernando Pinto, que se encontrava no Hospital da Cruz Vermelha, frisou que os trabalhadores dessa instituição "não têm nenhuma valorização salarial" e há dez anos que reclamam, por isso, 9% de aumentos salariais, que a administração veio já considerar inviável.

Fernando Pinto atribuiu responsabilidades à ministra da Saúde neste processo, recordando que Marta Temido pertenceu à administração da Cruz Vermelha e criou expectativas nos trabalhadores ao abrir portas à negociação, que, entretanto, a nada levaram.

Afirmamos que a Dra. Marta Temido é responsável pelo risco de o acordo de empresa ser caducado", afirmou aos jornalistas.

Também presente na concentração de protesto esteve o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que sublinhou que a Cruz Vermelha "cobra muito aos seus doentes e paga pouco aos trabalhadores".

Temos uma situação de trabalhadores que há 10 anos não têm qualquer atualização salarial e correm o risco de a administração levar à caducidade do acordo de empresa, extinguindo um conjunto de direitos que conquistaram ao longo dos anos", declarou Arménio Carlos.

Em comunicado, a administração deste hospital reconhece o direito à greve mas que a sua preocupação, neste momento, é "garantir toda a atividade urgente", tendo reprogramado toda a sua atividade normal.

Ainda assim, admitiu reajustar "situações de funcionários que estavam em desvantagens face ao mercado e de uma forma gradual".