Os sindicatos médicos afirmaram esta quinta-feira que se mantêm todos os pressupostos para que a greve nacional de 10 e 11 de maio ocorra, após uma nova reunião no Ministério da Saúde.

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, disse à agência Lusa que os sindicatos saíram do encontro desta quinta-feira com um sentimento de “grande desapontamento”.

O Ministério da Saúde parece pretender empurrar os médicos para o confronto. Mantêm-se todos os pressupostos para que a greve ocorra”, indicou Roque da Cunha, acrescentando contudo que haverá nova ronda negocial na próxima semana, dia 5 de maio.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse estar "convencido" de que um acordo com os sindicatos dos médicos, que marcaram greve nacional para 10 e 11 de maio, venha a ser possível.

"Estou crente e convencido, que ainda temos muitos dias pela frente para que esse acordo venha a ser possível", disse Adalberto Campos Fernandes.

Questionado pela agência Lusa, o ministro da Saúde sublinhou que "o Governo fará aquilo que sempre disse que fará, que é esgotar a via negocial até ao último minuto, num quadro de responsabilidade nacional".

Segundo o membro do Governo, o secretário de Estado da Saúde e o secretário de Estado Adjunto e da Saúde "têm estado a trabalhar num quadro de grande abertura", recusando a acusação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) de que a tutela "parece pretender" empurrar os médicos para o confronto.

SIM e Federação Nacional dos Médicos têm-se manifestado cansados da falta de concretização de promessas do Governo após mais um ano de negociações.

Pagamento das horas extraordinárias a 100%, redução do número de horas de trabalho nas urgências ou limitação da lista de utentes por médico de família são algumas das reivindicações dos sindicatos.

Os sindicatos pretendem que o trabalho suplementar em serviço de urgência seja limitado a 150 horas anuais, quando atualmente está nas 200 horas.

Reivindicam também um limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência como horário normal de trabalho, considerando inadmissível a persistente realização de trabalho em urgência por períodos de 24 horas.

Em relação às horas extraordinárias exigem a reversão dos cortes, passando a receber a 100%, com efeitos retroativos a 1 de janeiro para todos os médicos.

A greve de médicos decorrerá a nível nacional entre as 00:00 de dia 10 de maio e as 24:00 de 11 de maio. Estarão garantidos, como em qualquer paralisação, serviços mínimos.