Ao segundo e último dia de greve dos médicos, o ministro da Saúde pronunciou-se pela primeira vez sobre a paralisação, em entrevista à TVI. Adalberto Campos Fernandes admitiu que muitas - quase todas - as reivindicações destes profissionais são "muito legítimas".

Mas também quis lembrar que, nos últimos anos, a saúde foi um setor “muito fustigado”. "Não é possível fazer tudo por todos ao mesmo tempo”.

Com que é que os médicos podem contar? O ministro não foi muito claro. Disse apenas que “há espaço em termos de faseamento no tempo” para acolher as propostas dos dois sindicatos que convocaram a greve.

Os médicos reivindicam que o trabalho suplementar esteja limitado a 150 horas anuais, em vez das atuais 200; um limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência; reduzir o número de utentes por médico de família; repor do pagamento de 100% das horas extra, que recebem desde 2012 com um corte de 50%; e querem reverter o pagamento dos 50% com retroatividade a janeiro deste ano.

Negociações devem ser retomadas

O ministro garante que o Governo está disponível para continuar a negociar com os sindicatos já a partir da próxima semana e definir um calendário negocial alargado, até final de setembro, que vá até a legislatura acabar.

“Reafirmamos a vontade de retomar negociações. Estamos disponíveis a partir já de sexta-feira”, disse entretanto à agência Lusa Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, um dos dois sindicatos que convocou a greve nacional de médicos, a par com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

Como é sabido, o Governo deu tolerância de ponto à função pública esta sexta-feira, 12 de maio, a propósito da visita do Papa Francisco a Portugal. 

Adalberto Marques Fernandes elogiou a forma como se realizou esta greve de dois dias. No seu entender, a paralisação decorreu com responsabilidade. Os sindicatos apontam para uma adesão a rondar os 90%.

Houve naturalmente efeitos em vários blocos operatórios que estiveram encerrados durante todo o dia. Grandes hospitais como o Hospital de São João no Porto, Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, Hospital de São José e de Santa Maria, em Lisboa, e o Hospital de Ponta Delgada, nos Açores são disso exemplos.