Há mais de oito mil cirurgias programadas e 182 mil consultas externas de especialidade, segundo o Jornal de Notícias, que estão em risco de serem adiadas entre amanhã e sexta feira, devido à greve dos médicos e da tolerância de ponto dada pelo governo a propósito da visita do Papa.

As estruturas sindicais vão entregar ainda hoje uma carta na residência oficial do primeiro-ministro a apelar à intervenção de António Costa.

Na TVI24, Roque da Cunha, secretário-geral Sindicato Independente dos Médicos (SIM), garantiu que os serviços mínimos estão assegurados e explicou as razões da greve.

“Esta greve é acompanhada por serviços mínimos que nos serviços de urgência representa exatamente as escalas que são previstas ao domingo. (…) Queremos tranquilizar também os doentes oncológicos. Não há nenhum doente oncológico que tenha a sua quimioterapia ou a sua radioterapia adiada”, explicou.

Numa carta aberta aos cidadãos, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), um dos dois que convocaram a greve, explica que a paralisação é uma “forma de protesto contra a degradação do trabalho e do Serviço Nacional de Saúde”.

No documento, o sindicato garante que “serão escrupulosamente cumpridos os serviços mínimos, os mesmos que são disponibilizados nas 24 horas de domingos e feriados”, com a greve a afetar o trabalho normal e o trabalho suplementar.

Na TVI24, o responsável explicou que os médicos querem reverter medidas acordadas aquando da vinda da troika.

“Nós aceitamos um conjunto de matérias, para dar um exemplo, num horário de 40 horas, aliás único na Função Pública, os médicos disponibilizaram-se a dar 18 horas de urgência. Toda a gente sabe que 18 horas de urgência é um disparate. O que nós queremos é que de uma forma faseada, até ao final da legislatura, essas 18 horas passam para as 12 horas para justamente permitir nas seis horas extra haja mais cirurgias, mais consultas externas”. 

Ordem apoia greve

A Ordem dos Médicos subscreve as reivindicações dos sindicatos, lamentando a degradação das condições de trabalho, que leva à “insatisfação crescente dos profissionais de saúde”.

“Nos últimos anos, as condições de trabalho dos médicos têm vindo a degradar-se progressivamente, condicionando de forma negativa a qualidade da medicina prestada aos portugueses”, refere a Ordem dos Médicos, num comunicado divulgado na véspera do primeiro dia da greve.

Para a OM, há uma insatisfação crescente nos médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), “o que tem constituído o motivo maior para a saída de muitos profissionais”.

A Ordem entende e subscreve as reivindicações defendidas pelos sindicatos, como ficou claro na sua participação no recente Fórum Médico (…). Manifesta a sua total solidariedade e apoio a todos aqueles que, sentindo o efeito das más condições de trabalho na qualidade do exercício da medicina, decidam manifestar a sua insatisfação aderindo à greve."

O Conselho Nacional da Ordem aproveita ainda para apelar ao ministro da Saúde que se empenhe em contribuir para “preservar as caraterísticas genéticas do SNS e em recuperar a medicina de proximidade”.

/ CLC