A administração do Grupo Trofa Saúde garantiu esta segunda-feira que não "desistiu" nem vai abdicar de construir o seu primeiro hospital na cidade do Porto, junto ao Estádio do Dragão, em Campanhã.

Em comunicado, a administração do grupo hospitalar português explica que a unidade hospitalar é "um projeto estratégico" para o grupo e "de fundamental importância" para a freguesia de Campanhã, adiantando que, por esse motivo, "não abdicará" de instalar no edifício em construção o seu hospital.

De modo a assegurar a instalação do referido Hospital, o Grupo Trofa Saúde interpôs uma ação judicial a 2 de maio de 2019, que corre junto do Tribunal Judicial da Comarca de Braga, sob o número 2420/19.8T8BRG", frisa a administração.

O Grupo Trofa Saúde adianta ainda que se "irá manter inalterado o plano de expansão" e assegurada a abertura de "um hospital privado diferenciado, com cuidados de saúde de inegável qualidade" na cidade do Porto.

Na semana passada, a Lusa constatou na Avenida 25 de Abril, no Porto, que as obras de construção do edifício continuam e que os trabalhadores não tiveram nenhuma indicação para suspender a mesma.

Em declarações à Lusa, o diretor-adjunto da obra afirmou que "não foi dada nenhuma indicação para parar com a construção", adiantando que estão já a avançar com a instalação da estrutura de betão armado no edifício.

No dia 22 de agosto, o Jornal de Negócios avançou com a notícia de que o grupo hospitalar português "desistiu" de construir aquele que seria o primeiro hospital da Trofa Saúde na cidade do Porto, localizado na Avenida 25 de Abril.

Dono de 14 hospitais, sobretudo na região Norte, o grupo de António Vila Nova já não vai ocupar o gigante edifício, em fase final de construção, que se ergue na zona oriental do Porto, num investimento que estava orçado em mais de 70 milhões de euros", referia o Jornal de Negócios.

O edifício, que tem uma área de construção superior a 31 mil metros quadrados e é composto por duas estruturas já erguidas, uma das quais com 13 pisos, deverá ficar concluído a 08 de fevereiro de 2020.

Também o Jornal de Notícias (JN), no dia 23 de agosto, avançava com a notícia de que "um desacordo quanto ao custo da obra" entre a construtora - o Grupo ABB - Alexandre Barbosa Borges - e o grupo hospitalar português terá sido o motivo da "desistência".

Segundo o jornal, o empreiteiro, a Socimpacto, do Grupo ABB - Alexandre Barbosa Borges, "parou a obra" por desacordo quanto ao preço e pôs uma ação no Tribunal Cível de Braga a solicitar a resolução do contrato e uma indemnização prevista numa das suas cláusulas, no valor de 2,5 milhões de euros.

Na ação, a ABB - Alexandre Barbosa Borges, SA diz que o contrato assinado com o Trofa Saúde em 2014 previa a construção, em Campanhã, de um edifício com 16 a 18 mil metros quadrados, mais uma área para 400 lugares de estacionamento", referia o JN, adiantando que a construtora se comprometia a comprar os terrenos e edificar a unidade de saúde.

Em contrapartida, a Trofa Saúde teria, durante o primeiro ano, de pagar uma renda mensal de 130 mil euros, valor a que acresciam 20 mil euros nos anos seguintes.

No contrato estava prevista a construção de oito ou nove pisos, cada um com dois mil metros quadrados, contudo, a construtora defende na ação que o "programa" apresentado pelo grupo hospitalar "implicava a ampliação do projeto de 18 para 32 mil metros quadrados de área, a que acresceriam 635 metros quadrados de aparcamento".

Alterações e ampliações que "implicavam necessariamente uma revisão do preço da renda e do custo de compra pela empresa de saúde", defende a firma, adiantando que em 2018, “pediu a reorçamentação do projeto", uma vez que este passaria a custar mais 12,5 milhões do que o acordado (37,5 milhões de euros no total).

Garante que já investiu 12 milhões na obra, e que tentou a via do diálogo, mas, como tal não teve efeito, recorreu à via judicial. Pede 2,5 milhões de indemnização e a resolução do contrato. Em alternativa aceita a simples resolução ou a anulação do negócio", adiantava o JN.

Também o Jornal de Negócios adiantou, com base em declarações de fontes próximas do processo, que o edifício poderá ser "convertido em hotel".

Contactada pela Lusa, a Câmara Municipal do Porto afirmou não ter recebido "qualquer registo de pedido de alteração ao processo licenciado para o local".

Em contrapartida, o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos, disse ter tido conhecimento da situação porque o edifício se situa "muito perto da Junta" e "através do vereador da Câmara Municipal do Porto" com o pelouro do Urbanismo, Pedro Baganha.

/ CE