A Autoridade de Saúde da Guarda anunciou esta sexta-feira que interditou a barragem do Caldeirão a atividades lúdicas e desportivas, por suspeita de salmonela na água, mas assegura que a situação não representa problemas para a saúde pública.

Segundo o Delegado de Saúde, José Valbom, após a deteção de peixes mortos na barragem que abastece a cidade, foram feitas análises que indiciam «forte suspeita da existência de salmonela», razão que levou à interdição da albufeira «às atividades que exponham as pessoas» em contacto com a água.

O uso da água para consumo humano, após tratamento, «não apresenta nem apresentou, até ao momento, qualquer risco para a saúde pública», garantiu o responsável à Lusa.

«Nunca houve qualquer perigo para a saúde pública porque o agente [detetado] é sensível a todos os tratamentos [da água utilizada no abastecimento público] e a empresa gestora [Águas do Zêzere e Côa] está a fazer o tratamento de uma forma correta e adequada», garantiu.

Disse que tanto a empresa como a Autoridade de Saúde Pública e o SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR estão a monitorizar a água diariamente, garantindo que «o agente não passa para a água da torneira» das pessoas.

«Podemos consumir, podemos tomar banho em casa, podemos fazer todas as utilizações que fazemos com a água de consumo humano que não existe, nem existiu, qualquer risco ou perigo para a saúde pública», reforçou o Delegado de Saúde.

Acrescentou que existe «uma probabilidade séria» de a água estar contaminada com salmonela, mas ainda falta o laboratório especificar qual a estirpe que está em causa.

Sobre a causa da morte de uma grande quantidade de peixe - da espécie boga - retirado na quinta e na sexta-feira da semana passada da barragem do Caldeirão, José Valbom referiu que ainda «não se sabe concretamente» qual foi «porque faltam os resultados das análises» aos cadáveres.

«Há forte convicção que seja uma causa natural, porque só morreu uma espécie muito sensível e numa altura em que, tradicionalmente há mortes de bogas, porque é a altura da desova», opinou o médico, enquanto aguarda pelos resultados laboratoriais.

A zona da barragem está a ser vigiada regularmente pela GNR para acautelar eventuais prevaricações à medida de interdição da albufeira decretada pela Autoridade de Saúde, segundo fonte do Comando Territorial da Guarda.

A fonte adiantou que, a pedido da Administração Hidrográfica do Centro, elementos do SEPNA utilizaram hoje uma embarcação para recolha de água para análise, em zonas «mais profundas».

Os militares também recolheram e transportaram para Lisboa, «algum peixe morto», para nova análise laboratorial, concluiu.