O Tribunal da Covilhã começou esta quinta-feira a julgar um grupo que envolve uma prostitua e um chefe de polícia e que terá extorquido milhares de euros a vários homens, mas um dos advogados requereu a nulidade do processo.

Segundo Paulo Gueifão, advogado de Janete Pires, 39 anos, prostituta e principal arguida, o caso foi investigado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) sem que tivesse competência para o efeito.

O pedido foi considerado improcedente pela juíza presidente do coletivo, Alexandra Reboredo, depois de o procurador do Ministério Público ter referido que a investigação foi delegada no SEF por sugestão do coordenador da Polícia Judiciária da Guarda.

O defensor de Janete Pires recorreu da decisão e pediu que o julgamento fosse suspenso, pretensão também negada pela juíza e que levou a um segundo recurso.

O caso tem dez arguidos, sendo que Janete Pires e o companheiro, Ricardo Madaleno, 33 anos, cantoneiro da Câmara da Covilhã, estão em prisão preventiva.

Um dos arguidos, Mário Serrano, 34 anos, não esteve presente, o que levou o tribunal a dar ordem de detenção para comparecer em audiência.

Segundo a acusação, Janete seduziria homens com posses aos quais seriam extorquidas elevadas quantias depois de ameaçados por Mário e Ricardo, todos com a ajuda do chefe de polícia da PSP da Covilhã, Francisco Casteleiro.

A vítima que perdeu mais dinheiro ficou sem 400 mil euros, teve de recorrer ao Rendimento Social de Inserção e até o marido da principal arguida caiu na miséria e foi apoiado por uma instituição antes de morrer, refere a acusação.

Ricardo Madaleno, em carta dirigida esta semana ao «Jornal do Fundão», afirmava ter sido vítima de «sedução manipuladora» por parte de Janete. No entanto, no início da audiência, acabou por abdicar do uso da palavra, no que foi seguido pelos restantes arguidos.

Ricardo e Janete chegaram algemados às 09:00 ao Tribunal da Covilhã e mantiveram diálogo em voz baixa ao longo da audiência, até o advogado do arguido solicitar que fossem separados, cerca de duas horas depois.

Só Isabel Gregório, 46 anos, funcionária bancária acusada de facilitar a Janete o acesso às contas das vítimas, anunciou que pretende falar.

Devido à natureza sexual de alguns dos crimes em causa, que envolvem várias vítimas, o coletivo entendeu que o julgamento decorrerá à porta fechada, sendo permitida apenas a entrada a jornalistas.

Uma decisão que levou à saída de dezenas de homens que durante a manhã se iam juntando na principal sala de audiências do tribunal para assistir à audiência.

A segunda sessão do julgamento está marcada para sexta-feira, às 09:00, informa a Lusa.
Redação / CF