Alunos do ensino secundário e superior da cidade da Guarda mostraram-se hoje contentes e também preocupados pelo regresso às aulas presenciais após um período de ensino à distância devido à pandemia causada pela covid-19.

Os estudantes voltaram hoje aos estabelecimentos de ensino, após um período de afastamento das escolas e com aulas à distância, mas o regresso não é sentido por todos de forma igual.

Venho [para a escola] contente, porque o ensino à distância é muito pior, não aprendemos tanto como no presencial. Também estou feliz por voltar a ver os colegas”, disse à agência Lusa Diogo Henriques, aluno do 11.º ano da Escola Secundária da Sé.

O estudante, que antes das 08:30 (hora de início das aulas) esperava por colegas nas proximidades, referiu que “há sempre o receio de ser contaminado” pelo vírus da covid-19, mas, “se toda a gente respeitar as regras”, tudo irá correr bem.

Eu tenho receio. Na minha opinião, era melhor termos aulas ‘online’ até ao final do ano, por uma questão de segurança. Se ficássemos em casa até ao final do ano não tinha mal nenhum”, disse, por seu lado, Gabriel Silva, do 10.º ano.

A opinião do Gabriel é partilhada pelo colega Rafael Terras, que “preferia continuar ‘online’ por causa do medo de ficar doente e de levar o vírus para casa”.

Já Eva Venâncio, do 11.º ano, regressou à escola sem preocupações: “Não estou com receio. Estivemos muito tempo em casa, os outros colegas já retomaram e, até agora, não houve problema nenhum. Já tinha saudades das aulas e de estar com os colegas”.

Também Carla Loureiro, aluna do 12.º ano, que falou com a Lusa na esplanada de um café das proximidades da Escola Secundária da Sé, onde se encontrava com um grupo de colegas, disse que estava “ansiosa pelo regresso” à sala de aula.

Apesar do “receio” de voltar à escola, assume que prefere o ensino presencial ao ‘online’, que considera “muito difícil”.

A Lusa ouviu dois pais de alunos da Escola Secundária da Sé, que têm opiniões diferente sobre a reabertura das aulas para os estudantes do ensino secundário.

Claro que há sempre uma preocupação em termos de doença. No entanto, é preferível que os nossos filhos tenham aulas presenciais e, se alguma coisa tiver que fechar novamente, que não sejam as escolas”, disse Vítor Gonçalves.

Outro pai, Luís Coelho, mostrou-se “muito preocupado” e defendeu que a reabertura “devia ter sido atrasada pelo menos uma semana, para se apurar o período da evolução” dos eventuais contágios resultantes da Páscoa.

Na avenida de acesso ao ‘campus’ do Instituto Politécnico da Guarda (IPG), apesar da chuva que caiu durante a manhã, verificou-se hoje, por volta das 09:00, novamente muito movimento de estudantes que se dirigiram a pé para as duas escolas ali existentes.

Entre os alunos do superior, as opiniões sobre o regresso às aulas presenciais também se dividem.

Sinto-me feliz por sair de casa. Já estava cansado das aulas ‘online’”, disse Nuno Serôdio, aluno do 3.º ano do curso de Engenharia Informática.

Francisco Rei, do 1.º ano de Desporto, encara o retorno à escola com normalidade, por considerar que “o método de ensino presencial é melhor que o do ‘online’”.

Este regresso à escola é uma mudança brusca. Já estava habituado a assistir às aulas em casa e preferia que o ‘online’ se mantivesse até ao fim do ano letivo”, afirmou Hermes Barreto, aluno do 3.º ano de Comunicação e Relações Públicas.

Relativamente a possíveis contágios, os três alunos do IPG contactados pela Lusa referiram que se sentem seguros por a instituição, a partir de quarta-feira, realizar testes a toda a comunidade escolar.

/ LF