A Polícia Judiciária e Rui Pinto chegaram nos últimos dias a acordo, contra todas as expectativas.

A TVI sabe que o hacker português aceitou colaborar com a Justiça, saindo da prisão preventiva, onde se encontra há precisamente um ano.

Rui Pinto passa a trabalhar lado a lado com os elementos da PJ, diariamente, no combate a fenómenos de criminalidade económico-financeira que as suas intrusões informáticas têm permitido desvendar em diferentes áreas da sociedade.

Este acordo de colaboração, validado pela juíza de instrução Cláudia Pina num despacho de três páginas, prevê atenuantes na medida da pena face à previsível futura condenação por vários crimes de acesso ilegítimos e, para já, o aligeirar das medidas de coação. Rui Pinto deixa a prisão e passa a viver na PJ, com segurança 24 horas por dia.

Enquanto isso, o pirata informático compromete-se a desencriptar os 10 discos externos que a PJ lhe apreendeu na Hungria, com terabytes de informação, mas que ainda não conseguiu abrir.

Suspeita-se de que, em emails e outra documentação, contenham verdadeiras bombas-relógio no que diz respeito a corrupção no futebol e teias de influências na política, no mundo dos negócios, da banca ou no setor da advocacia.

Os dados obtidos de forma ilícita, pelas intrusões informáticas nos servidores de empresas e entidades públicas, não podem ser usados como prova direta, mas servirão de informação crucial para a PJ em processos que já estão em curso ou para a abertura de outros a partir daí.

 

A defesa de Rui Pinto já fez saber, em comunicado, que se congratula com a revogação da medida de coação. Os advogados William Bourdon, Francisco Teixeira da Mota e Luísa Teixeira da Mota adiantaram ainda que esperam que sejam "dados passos no sentido da total liberdade do constituinte". 

A defesa de Rui Pinto congratula-se com esta decisão e confia que outros passos serão dados no sentido da total liberdade do seu constituinte, cujas revelações já muito contribuíram para o combate à grande criminalidade, nomeadamente no âmbito do crime económico", lê-se na nota.

Henrique Machado