O consumo de drogas entre alunos voltou a aumentar em 2011. Já a ingestão endovenosa diminuiu, o que levou à redução das infeções pelo vírus da sida, de acordo com um relatório anual.

«A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências», referente a 2011, e a cargo do Serviço de Intervenção nos Comportamento Aditivos e nas Dependências é apresentado esta quarta-feira na Assembleia da República.

O documento-síntese, que cita estudos epidemiológicos, assinala que o consumo de drogas na população escolar (ensinos básico e secundário) voltou a aumentar em 2010 e 2011, depois de ter diminuído em 2006 e 2007, e alerta, nesse sentido, para «a necessidade de investimento na prevenção», de acordo com a Lusa.

A canábis continua a ser a droga «preferencialmente consumida» no meio escolar.

O relatório destaca também o reforço da tendência de decréscimo das infeções VIH/Sida associadas à toxicodependência, com 2011 a registar 10 por cento de casos diagnosticados, contra os 32 por cento de 2005.

«Parece estar-se perante uma efetiva diminuição de infeções recentes, reflexo da diminuição das práticas de consumo endovenoso e da partilha de material de consumo endovenoso e, em última análise, das políticas de redução de riscos e minimização de danos», descreve o documento.

Em 2005, a prevalência do consumo endovenoso (de droga injetável nas veias) situava-se entre os 37 e os 67 por cento, enquanto em 2011 se fixou nos 16 a 55 por cento.

No ano passado, diminuíram também as mortes por overdose, em mais de 50 por cento face a 2010. Mas ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores, em que predominaram nas substâncias detetadas nas autópsias os opiáceos, em 2011 foi a metadona.

A droga mais traficada em 2011 voltou a ser a canábis, com a cocaína a ganhar «maior visibilidade».

O haxixe foi, em 2011 e pelo décimo ano consecutivo, o estupefaciente mais confiscado pelas autoridades policiais, com um total de 3.093 apreensões.

Nos últimos três anos, aumentaram as apreensões de liamba, atingindo as 660, valor mais elevado desde 2002.

O relatório adianta ainda que Portugal continua a ser um «ponto de trânsito» no tráfico internacional, particularmente no caso da cocaína.

Holanda e Paquistão (heroína), Brasil e Bolívia (cocaína), África do Sul (liamba) e Marrocos (haxixe) foram, em 2011, os principais países de origem da droga apreendida em Portugal.

O número de traficantes e/ou traficantes-consumidores presos aumentou, no ano passado, seis por cento, para os 2.075, comparativamente a 2010.

O relatório aponta que, em 31 de dezembro de 2011, os narcotraficantes representavam em Portugal cerca de 20 por cento do total de reclusos.

Portugal situa-se entre os países europeus com as «menores prevalências de consumos de drogas», com exceção da heroína.
Redação