O coordenador da Task Force para o Plano de Vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, afirmou, esta quarta-feira, que espera concluir a vacinação de pessoas com mais de oitenta anos e de pessoas com mais de 50 anos com comorbilidades. 

Previmos fechar (completar a vacinação) a 100% as ERPI [estabelecimentos residenciais para idosos], os mais de 80 anos e [o grupo] dos 50 até aos 80 anos com comorbilidades tipo 1 até dia 11 de abril. Naturalmente, poderão ficar pequenas bolsas que não conseguimos contactar, mas a grande maioria desta comunidade, que tem a ver com salvar vidas, estará fechada até 11 de abril”, afirmou o responsável pelo plano de vacinação em resposta a uma questão do deputado PSD Ricardo Batista Leite, numa audição na comissão parlamentar de Saúde.

 

No final do Verão teremos certamente mais de 70 por cento da população vacinada com a primeira dose. Vamos ter uma velocidade de vacinação na ordem dos 60 mil por dia, ainda em abril. Não temos mais vacinas para fazer mais do que isso”, revelou.

No entanto, não descarta "contratempos" no decorrer da operação de vacinação, sublinhando que "quem está a pensar que este processo será isento de falhas está a pensar mal"

Questionado sobre como interpreta a questão de vacinar a comunidade educativa quando há idosos por vacinar, o vice-almirante garantiu que "a prioridade está em salvar vidas, mas também há uma prioridade sob a resiliência”, mantendo a "coerência da estratégia através da percentagem de vacinas alocada".

O facto de se meter a comunidade educativa no conceito de resiliência: Grande parte dessa comunidade, cerca de 200 mil pessoas, vai ser já vacinada na transição da primeira para a segunda fase, quando salvar vidas está praticamente resolvido a 100%”, frisou, sublinhando o reforço da vacinação deste grupo após a conclusão dos outros grupos prioritários.

Ainda assim, o coordenador da Task Force admite que “poderão sobrar algumas bolsas de contactos que tenham falhado". Para conseguir contactar esses grupos, a Task Force está a trabalhar juntamente com as autarquias e com a GNR.

Sobre a utilização da vacina da AstraZeneca no país, Gouveia e Melo esclareceu que Portugal decidiu guiar-se pelas indicações do regulador europeu, que afirma que a vacina é segura e "as suas vantagens superam os riscos". Gouveia e Melo criticou ainda aquilo que diz serem "movimentos que não se conseguem compreender” contra vacina, que aparentam ser "de outra ordem" que não clínica.

O que decidimos é seguir as recomendações estritas da EMA. Neste momento, o regulador europeu não cria nenhuma restrição à utilização desta vacina, continuando a afirmar que as vantagens superam muito qualquer inconveniente que possa aparecer”, afirmou.

Centros de vacinação rápida começam a operar em maio

Os 150 centros de vacinação rápida contra a covid-19 vão começar a operar no início de maio.

Questionado pelos deputados, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo começou por afirmar que os 150 centros serão abertos em 11 de abril, mas disse que “o que está em causa é ter esses centros a operar a partir do início de maio”.

Gouveia e Melo adiantou que estão a ser negociadas as formas como vão ser contratados os profissionais de saúde necessários para estas unidades, num número calculado em 2.500 enfermeiros, 400 médicos e 2.300 assistentes.

Gouveia Melo disse que os profissionais serão essencialmente do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas outros vão, necessariamente, ser contratados.

A ideia é usar até 20% dos enfermeiros que estão nos cuidados primários de saúde, como sabem são 9.000 enfermeiros, portanto, 20% são 1.800 enfermeiros e depois acrescentar a estes 1.800, os enfermeiros que forem necessários e recursos humanos que forem necessários para os postos de vacinação rápida”, disse.

De acordo com o responsável, nos postos de vacinação rápida, a eficiência do processo é quatro vezes superior à vacinação nos centros de saúde normais.

Com os mesmos recursos humanos nós conseguimos ter uma eficiência muito superior nesse processo, para além da comodidade, para além da segurança física, porque são feitos em grandes espaços arejados, que permite uma maior segurança e distanciamento físico”, defendeu Gouveia e Melo.

O deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira considerou ser “um bocadinho paradoxal”, numa altura em que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses diz que existem quase 2.000 profissionais em situação precária com o risco de serem mandados embora do SNS, o coordenador da ‘task force’ dizer é preciso contratar milhares de profissionais, entre eles enfermeiros.

“Se calhar há aqui uma solução óbvia que é não dispensar os enfermeiros que estão em situação precária, mas dar-lhes um contrato digno e estável para também assegurarem esta contratação”, defendeu o deputado bloquista.

A pandemia de covid-19 já provocou em Portugal 16.845 mortes, entre os 821.104 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

 

João Guerreiro Rodrigues / com Lusa