O Laboratório de Neurofisiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) vai encerrar a 01 de julho, denunciou hoje o seu diretor interino que lidera este serviço, falando em “falta de investimento em recursos humanos e técnicos”.

“O encerramento do laboratório resulta da reforma da sua única médica atualmente em funções dotada do ciclo de estudos especiais nesta área, com data prevista de encerramento para o próximo dia 01 de julho de 2020”, lê-se numa carta aberta dirigida às Câmara Municipais de Vila Nova de Gaia e de Espinho, bem como à Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos e à Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N).

Na missiva, o diretor interino do Serviço de Neurologia do CHVNG/E, Henrique Moniz Costa, descreve que este laboratório é o “único” do género “integrado num hospital público atualmente em funcionamento desde a margem Sul do Douro até Coimbra”, pelo que serve diretamente as populações de Gaia e Espinho e indiretamente as dos concelhos de Santa Maria da Feira, Ovar, Estarreja e Oliveira de Azeméis.

Segundo o responsável, este equipamento também serve as áreas da Neurocirurgia, Cirurgia Plástica e Cirurgia Vascular.

Em causa está, continua a descrever Henrique Moniz Costa, um laboratório capaz de realizar electroencefalogramas e eletromiografias, exames considerados “fundamentais para o diagnóstico e seguimento dos doentes com epilepsia e doenças do sistema nervoso periférico”.

“[São] exames sem os quais as cirurgias na área da síndrome de túnel cárpico, coluna cervical e lombar, ficam severamente limitadas”, refere o diretor, criticando a “contínua falta de investimento em recursos humanos e técnicos”.

“Apesar dos esforços realizados junto das entidades competentes pelos diretor de serviço de Neurologia precedentes e por mim ao longo dos últimos anos, a contínua falta de investimento em recursos humanos e técnicos, com aparelhos de EEG e EMG francamente ultrapassados com mais de 20 anos de vida e frequentes avarias, leva-nos a comunicar a gravidade da cúmulo final do desinvestimento nesta área para as populações servidas por este centro hospitalar e marca a assimetria dos cuidados prestados na mesma relativamente aos centro hospitalares universitários do Grande Porto”, acrescenta Henrique Moniz Costa.

O diretor descreve, ainda, várias situações vividas no laboratório, nomeadamente que “a câmara vídeo do único equipamento disponível no serviço para EEGs se encontra avariada há três anos, sem possibilidade de reparação pelo apoio técnico da marca”, o que, acrescenta, “impede que neste centro hospitalar se realizem exames a crianças com epilepsia de toda a região, limitando e condicionando os cuidados prestados”.

Henrique Moniz Costa fala ainda da inexistência de uma aparelho EEG portátil, o que “limita a possibilidade de diagnóstico de estados de mal epilético em doentes intensivos críticos, com acréscimo de morbilidade e mortalidade”, isto num centro hospitalar que é “referência para a abordagem da via verde do trauma e tem entre as suas valências um serviço de Neurocirurgia, uma unidade de AVC [acidente vascular cerebral] com certificação europeia”.

“Não podia deixar de apresentar a minha indignação e preocupação perante o desfecho final de uma área nobre da Neurologia em particular, mas com implicações a todos os níveis nos cuidados prestados aos utentes”, afirma o diretor interino na carta aberta enviada a autarcas e entidades ligadas à saúde.

Henrique Moniz Costa pede, por fim, aos “agentes políticos da região” que intervenham para intervenção para que o CHVNG/E não perca “valências fundamentais, com repercussões na saúde da população que serve”.

Por sua vez, o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) disse que está a tomar medidas para garantir o funcionamento do Laboratório de Neurofisiologia e que “não está previsto” o seu encerramento, como referiu o diretor interino daquele serviço.

“Não está previsto o encerramento do Laboratório de Neurofisiologia do CHVNG/E. O conselho de administração do CHVNG/E está a trabalhar conjuntamente com a direção do Serviço de Neurologia desde a tomada de posse, em agosto de 2019, de forma a garantir o bom funcionamento do Laboratório de Neurofisiologia, com todos os critérios de qualidade na prestação de serviços de saúde aos nossos utentes”, lê-se em resposta escrita enviada à agência Lusa.

/ AM