A garantia do acesso gratuito e voluntário aos testes de detecção do VIH e a criação de um Conselho para alargar a concretização integram os compromissos da Conferência VIH Portugal 2009, anunciados este sábado em Lisboa.

No final da iniciativa, organizada desde sexta-feira por vários representantes do combate à Sida e especialistas, o coordenador nacional para a infecção VIH/Sida no Alto Comissariado para a Saúde, Henrique Barros, anunciou que os objectivos deste ano passam também por reafirmar que o teste não é, por si só, uma medida de prevenção, «devendo por isso ser realizado de modo a tirar o partido possível da promoção das medidas eficazes de prevenção e redução de riscos».

O responsável assegurou aos jornalistas que, associada à garantia de gratuitidade e de carácter voluntário, esta premissa permitirá melhorar efectivamente as condições em que os testes de detecção são feitos, até porque é também acrescida da necessidade de prestar aconselhamento em todos os casos, algo que «nem sempre acontece».

Quanto ao Conselho terá como «finalidade última» a definição de condições práticas para a realização de testes em unidades de saúde familiar (USF), unidades funcionais de Agrupamentos de Centros de Saúde (ACS), centros de aconselhamento e diagnóstico (CAD) e estruturas de «out-reach». De acordo Henrique Barros, a primeira reunião deste novo organismo deverá ocorrer até ao final do mês de Abril.

Durante este ano, a coordenação nacional quer também reduzir em 30 por cento o número (actualmente de 70 por cento) de pessoas infectadas pelo VIH, que são detectadas com uma contagem de células CD4 inferior a 350 por milímetro cúbico de sangue, o que revela um enfraquecimento do sistema imunitário e, por consequência, uma sujeição gradual a infecções.

Henrique Barros disse ainda aos jornalistas que a actual campanha sobre o preservativo feminino, que não circula no mercado, é justificada pela necessidade de relembrar que o método existe e é eficaz. «Ele não existe no mercado porque as pessoas não procuram, porque não sabem que existe, mas as estruturas de saúde podem dispor dele porque já está dentro das regras exigidas a qualquer produto», explicou, adiantando que Portugal não assiste a uma generalização da infecção entre mulheres, mas que, tendo em conta o aumento desse fenómeno nos países mais marcados pela Sida, é necessário antecipar o problema «o mais cedo possível».