O Ministério Público acusou um homem de corrupção ativa por ter oferecido 70 euros a um agente da PSP de Viana do Castelo para não prosseguir com testes de deteção de álcool no sangue, após uma operação de trânsito.

Em declarações hoje à agência Lusa, o segundo comandante da PSP de Viana do Castelo, Raul Curva, explicou que o caso ocorreu em julho e que o homem, de 65 anos, agora acusado pelo Ministério Público (MP), "foi detido por condução sob o efeito do álcool e por tentativa de corrupção de um agente policial".

O responsável adiantou que o homem "foi mandado parar, no decurso de operação de fiscalização rodoviária que decorreu à noite na avenida Capitão Gaspar de Castro", em pleno centro da cidade.

Naquela operação, segundo Raul Curva, o condutor, residente no concelho de Viana do Castelo, foi submetido ao teste qualitativo, vulgarmente designado por teste do balão, que “detetou a existência de álcool no sangue".

O homem foi conduzido à esquadra local da PSP para ser submetido ao teste quantitativo, mais rigoroso que o primeiro, e que veio a confirmar "um valor superior a 1,2 gramas de álcool por litro de sangue".

De acordo com Raul Curva, a tentativa de corrupção do agente aconteceu para evitar o segundo procedimento de pesquisa de álcool no sangue.

O homem colocou o dinheiro em cima da secretária e pediu ao agente que não fizesse o teste. Nessa altura foi informado pelo agente de que se tratava de uma tentativa de corrupção que iria ser comunicada e foi dado ordem de detenção pelos dois crimes", disse.

Na acusação deduzida no passado dia 02, e a que a agência Lusa teve hoje acesso, o MP "imputa-lhe a prática de um crime de corrupção ativa por ter oferecido 70 euros um agente da PSP para que este não prosseguisse com os procedimentos de pesquisa de álcool no sangue a que, como condutor, fora sujeito".

Em outubro, o MP acusou uma mulher de dois crimes de corrupção ativa por oferecer dinheiro a dois agentes da PSP de Viana do Castelo para não fazer o "teste do balão".

Na ocasião, de acordo uma nota da Procuradoria Geral Distrital do Porto, o caso ocorreu em março, na praça Afonso III, no centro de Viana do Castelo.

Segundo a acusação, a mulher "ofereceu dinheiro a dois agentes da PSP quando (…) foi instada a sujeitar-se a fiscalização de pesquisa de álcool e de substâncias psicotrópicas no sangue, com o intuito de que não levassem por diante tal procedimento".

Já na esquadra da PSP de Viana do Castelo, para onde, entretanto fora levada, prosseguiu nos seus intentos, no sentido de que os agentes da PSP não elaborassem o expediente relativo à fiscalização que tinham operado, nem lhe dessem seguimento", acrescenta a nota.