As homenagens realizadas pelos amigos e familiares às três vítimas mortais do violento acidente na Segunda Circular, em Lisboa, ficaram marcadas por momentos de grande tensão com agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).

A TVI24 sabe que a PSP reforçou as equipas junto dos cemitérios dos Prazeres, da Amadora e dos Olivais, onde se realizaram os vários funerais. 

Nas imagens é possível ver a polícia a recuar caminho e o carro de patrulha a ser completamente cercado por motards. Um dos agentes chega mesmo a puxar uma arma numa tentativa de neutralizar a situação. Há momentos em que é visível alguns dos agentes rodeados de pessoas.

Também é possível ouvir o ruído em excesso provocado pelos motociclitas. Estes incidentes ocorreram na zona da Amadora.

PSP vai analisar imagens para identificar suspeitos

A PSP vai analisar as imagens das câmaras de vigilância urbana (CCTV) da Damaia, na Amadora, e outras difundidas nas redes sociais. Em causa estão imagens de um grupo de motociclistas a circular sem capacetes e de perturbações nos funerais em Lisboa.

Em declarações à Lusa, a subcomissária do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis), Ana Carvalho, explicou que as imagens de CCTV na Damaia, que está abrangida pelas câmaras de videovigilância autorizadas para o concelho da Amadora, “foram preservadas e vão ser analisadas”.

De acordo com a responsável, as imagens que circulam nas redes sociais e que “são do domínio público” vão ser “igualmente analisadas”, uma vez que do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, não há imagens de câmaras, sendo as que foram difundidas nas redes as únicas disponíveis.

É mais difícil identificar A, B ou C [pelas imagens] do que no momento, se tivéssemos identificado alguém”, sublinhou a subcomissária, referindo também a necessidade de saber “se existe ou não qualquer situação, pois o cemitério pode ter dado autorização para a presença das motos”.

A subcomissária explicou à Lusa que, tendo em conta o local, e para evitar o surgimento de conflitos, os agentes da PSP “monitorizaram a situação, de forma a evitar que se alterasse a ordem e tranquilidade pública de outras pessoas”.

A PSP identificou algumas matrículas, nomeadamente de pessoas que estavam sem capacete, sendo agora enviadas “notificações para os proprietários dos veículos que ou assumem que estavam no local ou identificam quem conduzia o veículo”.

Ana Carvalho referiu que antes da situação no cemitério, cerca das 13:40, os polícias da esquadra de trânsito da Divisão Policial da Amadora abordaram um grupo de motociclistas sem capacetes na Avenida Dom Pedro V, na Damaia, depois de um alerta.

No comunicado enviado às redações, o Comando Metropolitano de Lisboa explicou que durante essa abordagem os polícias “foram cercados de forma hostil por mais motociclistas, que entretanto foram chegando, que os empurraram e tentaram impedir a fiscalização dos infratores, chegando até a tentar a agressão aos agentes”.

Tendo em conta que o número de policias era inferior ao dos desordeiros, a autoridade recorreu “à arma de fogo”, bem como “à aproximação da viatura policial, como forma de dissuasão”, tendo, no entanto, “havido continuadamente um aumento da hostilidade por parte dos intervenientes”.

De acordo com as autoridades, após a chegada de mais meios ao local “o grupo dispersou”. Perante a ausência de condições de segurança “não foi possível proceder à identificação de nenhum desordeiro”.

Na quarta-feira a TVI24 também revelou um vídeo exclusivo que mostrava uma multidão com motas à porta do Cemitério dos Prazeres e, pelos menos sete desses veículos, a entrar no interior do cemitério. 

No último domingo, um "movimento espontâneo" de um grupo de pessoas, amigos e familiares das vítimas, fez cortar o trânsito na Segunda Circular, precisamente no local do acidente, em homenagem às vítimas. 

A PSP estima que tenham participado 150 viaturas e 500 pessoas. Cerca de 70 dessas viaturas já estão identificadas

Catarina Caseirito Cláudia Évora / Notícia atualizada às 15:24