O Tribunal da Marinha Grande condenou a 11 anos de prisão, esta terça-feira, um jovem de 21 anos, pelo homicídio de outro, à facada, na Praia da Vieira de Leiria, em Janeiro de 2008, informa a Lusa.

O tribunal colectivo deu como provada a maioria dos factos de que vinha acusado o arguido, Tiago Costa, que ouviu, durante a leitura do acórdão, a juiz presidente, Patrícia Costa, dizer que agiu de forma «livre, voluntária e consciente».

Tiago Costa era acusado de, na madrugada de 20 de Janeiro de 2008, com um amigo, ter saído de um bar, na Praia da Vieira, dirigindo-se para o carro, estacionado junto ao antigo mercado da vila.

Defesa alegava legítima defesa

No parque de estacionamento, terão sido abordados por dois rapazes que lhes pediram um cigarro, tendo-se desencadeado uma discussão.

Ricardo Azevedo aproximou-se do local a pedir «calma, já que ninguém estava ali para arranjar problemas», mas Tiago Costa terá ido ao banco do carro buscar uma faca de mato e, «com ela em punho, procurou atingir Ricardo Azevedo no peito, aproveitando-se da sua atitude conciliadora e de este se encontrar desprevenido», revela o despacho de acusação.

Segundo entendeu o colectivo de juízes, não se tratou de agir em legítima defesa, pois não ficou provado que Ricardo Azevedo tenha tentado agredir Tiago Costa. «Não é descrito um único acto de Ricardo que justifique a atitude do arguido», considerou o colectivo.

Indemnização de 128 mil euros à filha da vítima

A juiz presidente lembrou também que o arguido, ao dirigir a faca ao peito, é porque «quis o resultado que veio a acontecer, ou seja, a morte».

Apesar de não ter antecedentes criminais, ter um emprego estável e estar bem inserido na comunidade, Patrícia Costa considerou a pena «justa» e um exemplo para a sociedade. «Cada vez mais acontecem mortes por motivos quase fúteis. O que me choca é a facilidade com que se puxa de uma arma e se atinge outro», justificou, realçando que se a pena fosse menor passaria a mensagem à sociedade que «não é tão mau matar uma pessoa».

Tiago Costa terá ainda de pagar uma indemnização de 128 mil euros à filha da vítima, por danos patrimoniais e não patrimoniais.
Redação / CP