Um homem de 43 anos acusado de ter tentado matar por asfixia uma mulher em Pedome, Famalicão, por causa de uma paixão não correspondida, alegou esta quinta-feira que apenas se quis defender de um ataque de fúria da vítima.

No início do julgamento, no Tribunal de Guimarães, o arguido disse que a vítima “parecia um demónio” e que ameaçou matá-lo, tendo começado por o tentar agredir com um copo. Disse ainda que a vítima lhe deu uma joelhada e lhe puxou os cabelos, tendo ambos caído ao chão.

Nessa altura, desferiu “duas ou três pancadas” na vítima com o manípulo da máquina do café, mas nem viu onde acertou.

Estava sempre a pedir-lhe para parar mas ela parecia que estava possuída. Apenas lhe encostei uma mão ao pescoço para me defender. Tive que usar um bocado de força. Quando vi que ela ficou parada, quieta, fiquei em pânico”, referiu.

Sublinhou que nunca teve intenção de “fazer mal” à vítima e que “só a queria parar”.

Em resultado das agressões, a vítima, de 38 anos, que já tinha problemas graves de visão, ficou cega, tendo ainda sofrido perda parcial grave da audição. Ficou com incapacidade total para o trabalho.

O arguido disse ainda que mantinha uma “relação afetiva e próxima” com a vítima mas que, por vontade dela, nunca assumiram publicamente um namoro.

Admitiu que tinha “uma pontinha de ciúmes” e que insistia num relacionamento mais sério.

Também ouvida na sessão de hoje do julgamento, a vítima disse que nunca houve qualquer relacionamento amoroso entre ambos, embora o arguido fizesse questão de “publicitar” esse relacionamento entre amigos e colegas de trabalho.

“Éramos amigos, não tive nenhuma relação afetiva com ele”, afirmou.

Disse que o arguido a controlava e lhe enviava mensagens a toda a hora, o que a levou a bloqueá-lo no telemóvel e no “Messenger”, e negou qualquer agressão ao arguido.

Segundo a acusação, completamente corroborada pela vítima, os factos ocorreram na tarde de 03 de julho de 2018, num bar explorado pela vítima e onde o arguido trabalhava aos fins-de-semana.

O arguido “foi manifestando intenção de namorar” com a vítima e ficou “obcecado” por ela, dizendo mesmo a amigos e colegas de trabalho que ela era sua namorada.

No entanto, a vítima nunca terá aceitado qualquer relacionamento com o arguido.

Ainda de acordo com a acusação, no dia dos factos, numa altura em que estava sozinho com a vítima no bar, o arguido, e ainda segundo a acusação, decidiu matá-la, tendo-lhe desferido uma “violenta pancada” num ouvido com uma garrafa, seguindo-se um “violento murro” num olho.

Terá agredido ainda a vítima com um manípulo da máquina do café, atirou-a ao chão e tentou asfixiá-la, com um saco plástico, uma corda e um pau.

Alegadamente, a vítima fingiu estar morta e só então o arguido desistiu das agressões.

O arquido terá, então, tirado 200 euros que a vítima tinha no bolso, e levado um telemóvel e ainda 80 euros que havia na caixa e abandonou o bar, trancando todas as portas.

A vítima terá conseguiu arrastar-se até uma janela e gritou por auxílio, tendo sido socorrida pela GNR e bombeiros.

O arguido alegou que pensou que a vítima “estava morta”, que ficou desesperado e que pegou em 80 euros da caixa registadora “para fugir”.

Disse ainda que levou também o telemóvel da vítima para “ler as mensagens”, negando que tivesse trancado a porta.

O arguido responde pelos crimes de homicídio agravado, na forma tentada, e de roubo agravado.