O casal acusado de matar a mãe adotiva da arguida, Diana Fialho e Iúri Mata, remeteu-se, esta quinta-feira, ao silêncio em julgamento, onde uma inspetora da PJ garantiu que o arguido ajudou a reconstruir o cenário do crime.

Foi no Tribunal de Almada, no distrito de Setúbal, que se iniciou o julgamento de ambos os arguidos, acusados pelo Ministério Público (MP) pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Na audiência, ambos optaram por não depor, apesar do advogado de Iúri Mata ter esclarecido que o seu cliente não estava em condições de o fazer “por estar sob efeito de forte medicação”.

Segundo o despacho de acusação do MP, os arguidos “gizaram um plano” para matar Amélia Fialho, de 59 anos, e, em 1 de setembro de 2018, ao jantar, colocaram “fármacos” na bebida da vítima que “a puseram a dormir”, tendo desferido “vários golpes utilizando um martelo”, causando a morte da professora.

Após o homicídio, relata a acusação, os arguidos embrulharam o corpo e colocaram-no na bagageira de um carro, deslocando-se até um terreno agrícola, em Pegões, no Montijo, onde, com recurso a gasolina, “atearam fogo ao cadáver”.

Os arguidos tinham requerido abertura de instrução mas, em maio, o juiz de instrução criminal (JIC) Carlos Delca, do Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro, decidiu levá-los a julgamento nos exatos termos da acusação do MP, por considerar que existiam “indícios mais do que suficientes para os levar a julgamento”.

Neste sentido, a inspetora da Polícia Judiciária (PJ) que participou na investigação, Fátima Mira, garantiu hoje que foi Iúri Mata que ajudou a “fazer o reconhecimento e reconstituição” do crime, por se encontrar “arrependido na altura”.

Segundo a inspetora, depois de ter sido encontrado o cadáver carbonizado e efetuadas buscas à residência dos suspeitos, Iúri Mata prescindiu da presença de um advogado e ajudou a PJ a traçar o percurso efetuado, “desde a saída da casa até à bomba de gasolina, ao local onde foi depositado o corpo e depois até à Ponte Vasco da Gama, onde foram atirados bens pessoais da vítima” e “a arma do crime, um martelo”.

Na busca à habitação, Fátima Mira confirmou que foram encontradas na varanda “roupas de ambos os arguidos com cheiro a lixivia” e algumas delas “tinham sangue”.

Já os documentos de Amélia Fialho encontravam-se escondidos nesta casa e “enrolados em papel higiénico”, relatou a responsável.

Após testes efetuados no momento, segundo a inspetora, também se detetou “sangue humano” na bagageira de uma das viaturas em nome da vítima.

Fátima Mira fez também referência às imagens de videovigilância da bomba de gasolina, que mostram Iúri Mata a comprar um garrafão de água de cinco litros, o qual encheu posteriormente com gasolina e, Diana Fialho, um pouco depois, a adquirir um isqueiro. Algumas das roupas utilizadas pelos arguidos, nesta ocasião, coincidem com as roupas ensanguentadas.

No seu testemunho, a inspetora apontou ainda as alegadas motivações para este crime, relacionando-se com “meios económicos, nomeadamente com o testamento e a ameaça de retirar o nome de Diana Fialho”.

O estado do cadáver tem levantado algumas dúvidas e, para esclarecer uma das questões da advogada de Diana Fialho, Tânia Reis, o juiz garantiu que “o que consta nos autos é que foi encontrado todo o corpo” e que um dos pés “não ardeu”.

Na sessão, também testemunhou um primo da vítima, que não conhecia os arguidos, o coordenador da PJ de Setúbal, Vítor Paiva, uma inquilina de uma das habitações de Amélia Fialho e o dono do terreno onde foi encontrado o corpo.

O julgamento prossegue esta tarde, pelas 14:00, no Tribunal de Almada.

Foi em 7 de setembro de 2018 que a filha adotiva e o genro da vítima foram detidos e presentes a tribunal, o qual decretou a medida de coação de prisão preventiva. A arguida está no Estabelecimento Prisional de Tires, enquanto o homem no do Montijo.