O homem acusado de matar os pais e a irmã no concelho madeirense de Santana, atingindo-os com tiros na cara, em 12 de agosto de 2017, remeteu-se hoje ao silêncio no início do julgamento, declarando que vai depor “mais tarde”.

O tribunal começou por ouvir as primeiras das 18 testemunhas arroladas no processo, o irmão e o sobrinho do arguido, que solicitaram para falar ao tribunal na ausência do arguido na sala de audiências.

O julgamento teve hoje início no tribunal de Instância Central da Comarca da Madeira, estando o homem – atualmente em prisão preventiva - acusado pela prática de três crimes de homicídio qualificado, num caso único de triplo homicídio na região.

A acusação menciona que “eram frequentes os motivos para as discussões por questões financeiras e pela personalidade do arguido”.

Também refere que o arguido, com base num “plano que previamente elaborou, agiu de forma premeditada para tirar a vida aos pais e à irmã”, e “limpou a espingarda que estava guardada na garagem” para perpetuar os crimes, estando as “munições no quarto do pai”.

No dia da prática dos crimes, menciona a acusação, a família reuniu-se para jantar e o irmão e o sobrinho do arguido decidiram ir para um arraial numa das freguesias do concelho de Santana, enquanto o homem combinou ir encontrá-los depois de acabar um videojogo de póquer.

Os pais e a irmã foram deitar-se e, quando já estavam a dormir, o arguido entrou no quarto da irmã e atingiu-a “a curta distância” na cara, tendo ido depois ao quarto dos pais e desferido um tiro na face da mãe.

O pai tentou levantar-se, mas o homem acabou por feri-lo gravemente também na cara.

A mãe (73 anos) e a irmã (52) tiveram morte imediata e o pai (78) ainda esteve internado no Hospital do Funchal, mas acabou por morrer: “As lesões provocadas nas três vítimas foram causa adequada e direta das suas mortes”.

Os pais do arguido eram emigrantes em França e a irmã residia no Algarve. Estavam a passar férias na residência que possuíam em Santana, na zona norte da ilha da Madeira, sendo ainda desconhecidos os motivos do crime.

A arma do crime, uma espingarda de dois canos, “está em parte incerta”.

O irmão do arguido disse ao coletivo - presidido por Filipe Câmara, coadjuvado por Teresa Miranda e Carla Menezes - que o irmão “estava sempre a chatear os pais, sobretudo a mãe”, por motivos financeiros e pelo facto de “o terem deixado na Madeira” quando emigraram. As discussões, indicou, aconteciam sobretudo nas horas das refeições.

Quanto à irmã, o problema devia-se à gestão de um restaurante que o arguido tinha no Algarve.

A testemunha, também emigrada em França, declarou que o irmão é uma pessoa que “trabalha muito, não descansa e varia [de comportamento]”.

“Todos os negócios que ele teve na vida foram abaixo e ele nunca assumiu a responsabilidade, arranjando sempre um terceiro para culpar”, afirmou.

A testemunha informou que encontrou a irmã atingida com um tiro no pescoço, a mãe atingida “meio da testa” e o pai “no olho direito”.