O Tribunal de Leiria começou esta terça-feira a julgar um homem acusado de três crimes de homicídio qualificado na forma tentada e um de violência doméstica, tendo o arguido optado por não responder às perguntas sobre estes factos.

O homem, de 55 anos, está ainda acusado pelo Ministério Público (MP) de dois crimes de ofensa à integridade física qualificada e um crime de explosão na forma tentada.

Sobre as agressões, que terá proferido contra o filho, nora e mulher, o arguido adiantou que aconteceram de forma acidental.

Segundo o despacho de acusação, no dia 05 de novembro de 2011, após uma discussão com o filho, o arguido atingiu-o «com força na cabeça», com um escopro, quando este se «encontrava de costas para si».

O MP sustenta que o filho «caiu, de imediato, inanimado, sangrando abundantemente». Apesar disso, «logo após, o arguido desferiu outra pancada na cabeça, com o escopro que empenhava». Quando tentou nova agressão, «foi agarrado» pela mulher e nora.

Para se libertar de ambas, «projetou a primeira para o chão, ferindo-a na mão direita», o mesmo sucedeu com a nora, que ainda foi «pontapeada», adianta a acusação.

Perante o coletivo de juízes, o arguido negou estas acusações, referindo que atingiu o filho acidentalmente, quando este se desequilibrou e caiu sobre si. «Como levava o escopro na mão levantado, o movimento que fiz levou-me a atingi-lo, sem querer».

Em relação à mulher e nora, o homem também admitiu ser possível tê-las ferido, quando elas puxavam o escopro para o tirarem da sua mão.

«É mentira que as tenha agredido», disse.

A mulher do arguido recusou prestar qualquer depoimento, enquanto o filho disse ao coletivo de juízes ter sido agredido pelo pai, pelo menos uma vez. «Quando ia a sair da garagem, ele deu-me com o ferro na cabeça. Depois não me recordo de mais nada. Só me lembro de estar no Hospital dos Covões».

A testemunha contou ainda que o pai «tinha furado a parede do quarto» onde a mãe dormia, onde «estava uma mangueira ligada a uma bilha de gás». Segundo referiu, desde pequeno que ouvia o pai «chamar nomes à mãe», tendo interferido algumas vezes.

No despacho de acusação, o MP considera ainda que o arguido «quis provocar a morte» à mulher, filho e neto, que costumava passar os fins de semana com os avós.

O suspeito está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional Regional de Leiria, informa a Lusa.
Redação / CF