O Ministério Público acusou o homem de 76 anos que matou Bruno Candé na rua, em Lisboa, de homicídio qualificado, agravado por ódio racial, confirmou a TVI.

No despacho de acusação, a que o jornal Público teve acesso, o Ministério Público recorda que o suspeito, Evaristo Marinho, participou na guerra colonial em Angola e que, quando atirou a matar contra Bruno Candé, se “referiu em concreto à cor da sua pele”.

“Vai para a tua terra, preto!”, “Tens toda a família na senzala e devias também lá estar”, “Fui à c*** da tua mãe e daquelas pretas todas! Eu violei lá a tua mãe”, “Anda cá que levas com a bengala, preto de m****” foram as expressões dadas como provadas pelo Ministério Público, na altura do assassinato em plena via pública, a 25 de julho do ano passado.

O homicídio é considerado agravado por ter sido “determinado por ódio racial".

O suspeito está a aguardar julgamento em prisão preventiva.

Este caso motivou uma onda de solidariedade com Bruno Candé e manifestações contra o racismo.

Bruno Candé morreu a 25 de julho, após ter sido "baleado em várias zonas do corpo" na avenida de Moscavide, no concelho de Loures, distrito de Lisboa.

Num comunicado, a família declarou que o ator "foi alvejado à queima-roupa, com quatro tiros, na rua principal de Moscavide", e que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas".