O homem suspeito de ter matado o ex-sogro numa escola da Nazaré admitiu hoje ao Tribunal de Leiria a agressão, mas disse não se lembrar do que aconteceu após o primeiro disparo.

O Tribunal de Leiria começou hoje a julgar um homem de 38 anos acusado da prática de um crime de homicídio qualificado, um crime de ofensa à integridade física qualificado e um crime de detenção de arma proibida.

Em declarações ao coletivo de juízes, o homem relatou que foi à escola para ver o seu filho mais novo e que encontrou o ex-sogro e a ex-mulher.

Quando venho para o hall [escola], aparece o José Lopes [vítima mortal] a confrontar-me e a tentar dar-me uma cabeçada. Desvio-me e quando vou para ir embora ele dá-me um puxão no braço e mete a mão no bolso das calças de forma repentina. Foi aí que o espetei”, explicou o arguido, alegando que suspeitou que o homem estivesse armado.

Precisando que esfaqueou o ex-sogro na zona abdominal, acrescentou que ficou “atrapalhado” quando viu sangue.

Depois de ser agarrado pela ex-mulher, o suspeito contou ainda que viu o homem meter a mão ao bolso e a dizer: ‘Agora é que te vou matar’”.

Foi aí que meti a mão ao bolso onde tinha a arma e não me lembro do que aconteceu depois. Fiquei completamente cego. Entrei em colapso. Quando olho para o José Lopes estendido no chão, vi a desgraça toda. Fui em direção ao polícia que estava no portão e disse: ‘prendam-me’”.

Perante esta dificuldade em lembrar-se, o advogado de defesa pediu ao tribunal que seja realizada uma perícia psicológica ao arguido para avaliar a sua imputabilidade.

O arguido, que se encontra em prisão preventiva, garantiu ainda que “nunca” teve intenção de matar o ex-sogro. “Aquilo que mais temia, que era uma tragédia, aconteceu. Sempre evitei problemas e ignorar todas as judiarias que me fizeram. Nunca fui de andar à briga, nem nunca tive problemas com a polícia”, salientou.

O acusado explicou que levava a arma consigo porque “estava a ser ameaçado” e com “medo”, acrescentando que foi à escola ver o filho porque o ex-sogro lhe tinha referido: “Não te esqueças que tens de ir à Nazaré buscar o teu filho”.

Fiquei logo intimidado”, explicou.

O arguido está acusado de ter matado um homem no átrio da Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio, na Nazaré, em janeiro.

No despacho do MP, após o primeiro interrogatório judicial, é referido que, “na presença da mãe do menor, gerou-se uma discussão entre o arguido e o avô materno” do filho, “envolvendo-se em confronto físico mútuo”. Neste contexto, “o arguido, que se encontrava munido de uma faca, desferiu um golpe na face esquerda da mãe do seu filho”.

Em seguida, o suspeito “desferiu uma facada que atingiu o abdómen do avô do menor e, estando munido de uma arma de fogo, efetuou dois disparos que o atingiu igualmente no abdómen”.

Empunhando a arma na direção da mãe do seu filho, fez outros dois disparos, vindo a “atingir o avô do menor, dado que o mesmo se colocou entre o arguido e a sua filha”.

“Encontrando-se o ofendido prostrado no chão, o arguido disparou mais dois tiros. A vítima veio a falecer no hospital de Santo André, em Leiria”.