A rede Ex Aequo revelou esta terça-feira que 79% dos jovens já assistiu a episódios de bullying homo-bi-transfóbico e 86% considera importante abordar aquelas questões na escola, segundo os dados do Relatório do Projeto Educação LGBTI 2019.

As principais conclusões do relatório foram divulgadas em comunicado - o documento é lançado esta terça-feira ao final do dia -, e espelham o resultado das 162 sessões de esclarecimento realizadas em escolas básicas, secundárias, universidades e outros contextos, no âmbito daquele projeto.

A associação recolheu respostas de 1.070 jovens e concluiu que 79% dos inquiridos já assistiu a episódios de bullying homo-bi-transfóbico, 86% considerou importante abordar as questões LGBTI (acrónimo para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo) na escola.

Daquele grupo, 68% referiu que a temática, ou não é, ou muito raramente é abordada na escola e apenas 1% disse não achar importante abordar questões LGBTI em aula.

Foi também disponibilizado um formulário a docentes e não docentes, tendo sido recolhidas 27 respostas sobre as suas dificuldades relativas a questões de identidade e expressão de género, orientação sexual e características sexuais.

Deste segundo grupo, 96% indicou que sente que aquelas sessões de esclarecimento ajudam a diminuir as situações de discriminação e 52% considerou que o sistema educativo não é inclusivo relativamente a questões LGBTI.

Os dados indicam ainda que 67% reconheceu necessitar de formação sobre estas temáticas e 30% admitiu não se sentir capaz de reagir a situações de discriminação homo-bi-transfóbica.

O Projeto Educação LGBTI existe desde 2005 e consiste na realização de sessões de esclarecimento e debate sobre questões de identidade e expressão de género, orientação sexual e características sexuais, através de educação não-formal e entre pares.

No ano de 2019, foram realizadas 162 sessões que abrangeram nove dos 18 distritos de Portugal Continental e Região Autónoma da Madeira, chegando a 4.843 jovens.

Comparando os dados com os dados do relatório anterior, algumas diferenças prendem-se com o aumento significativo de relatos de episódios homo-bi-transfóbicos por alunos/as, assim como maior reconhecimento da necessidade de abordar esta temática nas escolas”, apontou a Ex Aequo.

A associação considerou que os dados recolhidos “demonstram a importância da intervenção do Projeto Educação LGBTI nas escolas como uma componente da educação para a cidadania e educação para a sexualidade”, uma vez que refletem “uma falta de preparação sentida por parte de docentes”.

As respostas indicam uma grande incidência de situações de discriminação homo-bi-trans-interfóbica em contexto escolar, uma abordagem insuficiente de assuntos LGBTI em aula e uma vontade por parte do corpo estudantil para que esta aconteça”, resumiu.

A associação aproveitou ainda para se congratular pelo apoio que docentes e profissionais de psicologia escolar têm demonstrado à realização daquelas sessões como forma de combate a situações de discriminação.

A rede Ex Aequo é uma associação de jovens LGBTI e apoiantes que, desde a sua criação, em 2003, procura dar resposta à necessidade de apoiar aqueles jovens face ao bullying, isolamento, violência e abandono a que muitos tendem a ser sujeitos.

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