Os médicos obstetras de Lisboa dizem que as urgências de obstetrícia continuam sem profissionais para garantir o serviço durante o verão sem interrupções.

Depois de abandonada a hipótese do fecho rotativo das urgências, mais de metade dos obstetras do Hospital de Santa Maria entregaram pedidos de escusa de responsabilidade para acautelar eventuais complicações com grávidas e bebés durante o mês de agosto. 

Segundo apurou o jornal Público, até terça-feira já tinham subscrito o documento 15 dos 28 médicos daquele que é um dos hospitais centrais de Lisboa, e há também um médico do Amadora-Sintra que segue o exemplo dos colegas de Santa Maria.

Os médicos estão a subscrever as chamadas minutas que prevêem, ao abrigo do artigo 177.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, a exclusão da responsabilidade disciplinar quando o funcionário previamente tenha reclamado da falta de condições para o exercício do trabalho. 

Já o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, admitiu mesmo a possibilidade de se alterarem estas declarações para que se responsabilize diretamente o Ministério da Saúde pelos eventuais problemas. 

A tutela tem responsabilidade pelo SNS. Não há hospital do país que não tenha falta de recursos humanos. Os médicos não fazem milagres e isto não é forma de trabalhar”, frisou, citado pelo jornal Público.

Faltam pediatras e anestesiologistas 

Nas urgências de obstetrícia faltam também pediatras e anestesiologistas. Sem as escalas completas, os médicos argumentam que estarão a trabalhar sem condições mínimas de segurança em vários dias.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo desdramatiza a situação e terá dito aos diretores clínicos que, a existirem contingências, serão por períodos limitados.

Esta quarta-feira, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) revelou que fez um balanço positivo do atendimento às grávidas que em julho recorreram às urgências de Ginecologia e Obstetrícia de Lisboa e estima que o mesmo se repita em agosto.

“A imprescindível colaboração dos profissionais de saúde de cada uma das instituições permitiu que o funcionamento das urgências tivesse decorrido de forma tranquila. Num trabalho de estreita colaboração entre a ARSLVT, as direções do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, Hospital Prof. Dr. Fernando da Fonseca e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), estima-se que em agosto a realidade seja muito semelhante ao mês que agora termina”, lê-se no comunicado enviado às redações.

Em declarações à Rádio Comercial, Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, considerou por sua vez que os períodos de contingência têm de ser estabelecidos e que, se necessário, deverá fechar-se a urgência da unidade hospitalar, assumindo que não é possível dar resposta a todos os casos.

Acrescentando que nas escalas do serviço de obstetríciam deverão estar sempre cinco médicos de serviço, Roque da Cunha assinalou ainda que, "em muitos períodos, há três médicos em vez dos cinco que são necessários" no Hospital de Santa Maria.