O Sindicato dos Médicos da Zona Sul alertou este sábado que os médicos do serviço de urgência do Garcia de Orta, em Almada, estão exaustos e que se não forem tomadas medidas o serviço entrará em rotura “a curto prazo”.

Os médicos estão em exaustão, a trabalhar em condições que não permitem garantir a capacidade de resposta às exigências do momento atual: se não forem tomadas medidas, irá haver uma rotura na capacidade de resposta a curto prazo”, adverte o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) em comunicado.

O sindicato refere que, um ano depois da demissão em bloco dos chefes de equipa do Serviço de Urgência (SU) geral e do encerramento noturno do SU pediátrica do Hospital Garcia de Orta (HGO), “nada mudou” e que “a pandemia por SARS-CoV-2 veio agravar a situação”, sendo que “neste momento a segurança dos doentes e profissionais está em risco”.

Desde setembro de 2019, após sucessivas denúncias relativamente à escassez de recursos e ausência de condições de trabalho, não foram tomadas medidas para evitar a acentuada degradação da situação no HGO”, lamenta.

Sublinha ainda que a criação de circuitos diferenciados para doentes suspeitos de covid-19 e não suspeitos, “multiplicou os espaços de trabalho no SU geral, para o mesmo número insuficiente de médicos”.

Desde o início da pandemia, que os especialistas que exercem na urgência geral e enfermarias para doentes covid e não covid têm estado a trabalhar com “grande dedicação, ultrapassando em centenas o limite de horas extraordinárias estipulado por lei”.

Neste momento, a escassez de recursos é tal, que a capacidade de resposta a doentes médicos no SU [Serviço de Urgência] geral está abaixo dos mínimos estipulados, e a assistência a doentes internados com patologia covid e não covid está em risco”, adverte o sindicato.

Adicionalmente, a urgência de Pediatria mantém-se encerrada durante a noite mas, “em situações extremas, existem casos de crianças que recorrem ao SU geral”, onde não há pediatras para dar resposta.

O Hospital Garcia de Orta tem um Serviço de Urgência Geral Polivalente, com uma afluência média de 300 doentes adultos por dia, e tem uma área de influência direta de 350.000 habitantes, o que obriga a um número mínimo de elementos diferenciados muito acima daquele que tem sido planificado nas escalas médicas do SU geral.

Esta é mais uma das “várias situações” que o sindicato tem vindo a denunciar, e que “mostra como a ausência de medidas concretas para reforçar o SNS, a par da falta de medidas para preparar antecipadamente o próximo outono/inverno”, o que “compromete seriamente a resposta à pandemia e manutenção dos cuidados prestados a doentes com patologia não-covid”.

O sindicato lamenta a recusa da Ministra da Saúde em reunir com os sindicatos médicos e responsabiliza “a ministra e o poder político pela incapacidade” do SNS em dar resposta aos utentes.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos no mundo, incluindo 1.983 em Portugal.

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