O Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) conta, a partir desta segunda-feira, com uma unidade específica para procedimentos endoscópicos a doentes covid-19 ou fortemente suspeitos, serviço que, além de mais segurança, permitirá acelerar a lista de espera.

Em causa está o Serviço de Endoscopia Digestiva do Serviço de Gastrenterologia, espaço habitualmente associado a procedimentos como endoscopias, colonoscopias, ecoendoscopia ou os CPRE (ecografia ao pâncreas e vias biliares).

Em declarações à agência Lusa, o diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHUSJ, Guilherme Macedo, explicou que com esta nova unidade se aposta “não só em que os profissionais tenham uma adequada proteção e consigam prestar cuidados nas condições de maior segurança possível”, mas também na “reabilitação da confiança do doente não covid”, uma vez que fica garantido que “não existem cruzamentos”.

A decisão que motivou a criação desta estrutura resultou da antevisão das circunstâncias epidemiológicas da atual pandemia, devendo ser garantido o acesso dos doentes positivos a todo o tipo de exames endoscópicos. Esta logística, criada em tempo útil, otimiza também as condições de assistência para os doentes não covi-19, que “terão acesso ao Centro de Endoscopia Digestiva em circunstâncias normalizadas”, descreveu o diretor.

A unidade que esta segunda-feira entrou em funcionamento terá uma capacidade instalada para 15/20 doentes por dia.

O acesso de doentes positivos ou fortemente suspeitos será feito pelo exterior do hospital, através de um circuito novo que também contempla a criação de uma zona estanque para profissionais de saúde, na qual se podem equipar e vestir, existindo equipas diferenciadas para a área covid e não covid.  

Segundo informação remetida à Lusa pelo CHUSJ, “estas abordagens exclusivas de circulação, destinadas a doentes de ambulatório e doentes internados, bem como a profissionais de saúde, proporcionam um grande incremento de segurança e confiança para todos os que precisam destes meios diagnósticos e terapêuticos”.

Atualmente, o Serviço de Gastrenterologia do CHUSJ está a realizar cerca de 250 exames por semana, estando “aquém do normal na era pré-covid” quando realizava cerca de mais 100 no mesmo período, segundo o diretor.

Guilherme Macedo também aponta, como consequência desta aposta, a otimização do tempo entre cada exame e admite que acelerar a lista de espera será uma consequência natural.

Vamos conseguir oferecer a mais doentes a nossa capacidade de intervenção endoscópica. A gastroenterologia e, em particular, a área da endoscopia têm uma importância crescente na contribuição para a saúde digestiva dos portugueses. O número de solicitações tem sido progressivamente maior ao longo dos anos”, apontou o especialista.

Em média, e segundo uma estimativa de Guilherme Macedo que ressalvou que existem diferenças para cada tipo de exame e que a lista de espera em gastrenterologia está diretamente relacionada com a lista de espera em anestesiologia, um paciente do CHUSJ pode esperar cerca de seis meses por um procedimento endoscópico.

O diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHUSJ reconheceu que “esta é uma preocupação já pré-pandemia” e que a estrutura do serviço, “tal como a conhecíamos, não era capaz de dar resposta”.

E com a pandemia tudo se agravou”, referiu à Lusa, acrescentando que o hospital aproveitou este momento para reformular a capacidade de intervenção e que “esta solução física adicional é algo que traz uma vantagem estratégica”.

O Serviço de Endoscopia Digestiva funciona há cerca de 10 anos dividido entre espaço físico no edifício principal do hospital e 18 contentores.

Este novo circuito soma oito contentores à estrutura anterior, o que se traduz num aumento do serviço de cerca de 20%.

Temos vindo a alertar muito pela necessidade de correção e de reabilitação [desta situação]. Temos mais músculo e capacidade de responder, mas é um músculo que precisa de ser bem nutrido e bem integrado num corpo diferente. Obviamente consideramos que os contentores são soluções transitórias”, disse Guilherme Macedo.

A pandemia de covid-19 já provocou quase 958 mil mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 1.912 em Portugal.

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