O Hospital Amadora-Sintra começou a transferir doentes covid-19 para hospitais do Norte do país. Para já foram transferidos quatro doentes do Hospital Beatriz Ângelo para o Hospital de São João.

A TVI sabe que pelo menos dez doentes infetados foram transportados para estes hospitais, sendo que Gaia recebeu cinco e Santo António recebeu mais cinco doentes.

Também o Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco vai receber cinco doentes infetados pelo novo coronavírus da região de Lisboa e Vale do Tejo.

Foi-nos pedido para recebermos cinco doentes [covid-19] da região de Lisboa e Vale do Tejo. Tratam-se de doentes, em princípio do Oeste, e que vêm devidamente estabilizados", anunciou a diretora clínica da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULSCB), Eugénia André, numa conferência de imprensa de balanço da situação da pandemia de covid-19.

Na área da ULSCB - concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão - existem 903 casos de infeção pelo novo coronavírus, 427 dos quais em Castelo Branco, 163 em Idanha-a-Nova, 138 em Penamacor, 132 na Sertã, 14 em Oleiros, 13 em Vila Velha de Ródão, 13 em Proença-a-Nova, três em Vila de Rei.

Este trabalho em rede está a ser executado no âmbito de preparar a capacidade hospitalar de Lisboa e Vale do Tejo para um aumento expectável de novos casos de covid-19 nos próximos dias.

Tem existido uma maior procura dos serviços de urgência hospitalares – vivenciada, aliás, um pouco por todo o País. A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) acompanha a situação e promove o funcionamento em rede dos hospitais do SNS – que pode ser intrarregional (entre unidades da Região) e/ou inter-regional (ou seja, unidades de Lisboa e Vale do Tejo recebem utentes de outras regiões e vice-versa)", esclarece fonte da ARSLVT, sublinhando que os hospitais estão permanentemente a rever os seus planos de contingência e que, por isso, está a ser preparado o aumento da capacidade de camas críticas.

Este aumento é planeado numa altura crítica para os hospitais lisboetas do SNS. A ARS informa que há três centros hospitalares sem camas disponíveis para Unidades de Cuidados Intensivos, num momento em que há pouco mais de 30 camas livres nas enfermarias dos centros hospitalares. 

Esta tabela mostra a ocupação dos centros hospitalares de Lisboa e Vale do Tejo.

Centro Hospitalar Disponibilidade em enfermaria Vagas em enfermaria Disponibilidade em UCI Vagas em UCI
Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte 144 Camas 4 camas 36 camas 0 camas
Hospital Beatriz Ângelo 105 camas 0 camas 16 camas 0 camas
Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central 181 camas (6 de pediatria) 10 camas (seis em pediatria) 40 camas 2 camas
Hospital Amadora-Sintra 150 camas 14 camas 18 camas 2 camas

Na sequência de um pedido de esclarecimento, o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) informa que tem uma ocupação de 98% ao nível de enfermaria dedicada à resposta contra a pandemia. Os serviços de UCI estão esgotados. O CHLO também sublinha que não irá transferir doentes para o Norte - ao contrário do Amadora-Sintra.


De acordo com a informação disponibilizada à TVI, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental e o Hospital Beatriz Ângelo têm, neste momento, esgotada a disponibilidade de camas em UCI.

Até ao momento, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) tem um total de 160 doentes internados, entre enfermarias e Cuidados Intensivos. Perante esta realidade, a direção decidiu abrir mais uma enfermaria para internamento de doentes covid, tendo neste momento 140 camas de internamento em enfermaria e 36 camas em cuidados intensivos.

Com um total de 180 camas disponíveis para doentes covid, o CHULN dispõe apenas de quatro camas livres em enfermaria.

A TVI teve acesso a um documento que dá conta da situação dramática vivida no Hospital de Santa Maria, integrado no CHULN. A direção ativou esta sexta-feira o plano de contingência para nível elevado, devido ao agravamento dos internamentos nas unidades destinadas a doentes covid-19.

O CHULN deverá ainda executar um plano que, nos próximos dias, vai garantir mais vagas em UCI e enfermaria. Uma adaptação que será compensada pela disponibilização de camas para resposta a doentes não-covid.

Numa situação mais crítica está o Hospital Beatriz Ângelo que entrou em rotura total, não tendo neste momento nenhuma vaga para internar doentes infetados com o novo coronavírus, nem nas camas de enfermaria, nem nas camas dedicadas aos cuidados intensivos.

Em relação ao Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), que integra o Hospital Curry Cabral e o Hospital São José, havia até às 15:00 horas desta sexta-feira 208 internamentos. Neste centro hospitalar, há nota de 170 doentes covid-19 em enfermaria (dois internados no serviço de pediatria) e 38 infetados em UCI.

A lotação do CHULC dedicada à resposta covid-19 é de 221 camas, distribuídas entre 175 camas de adultos, seis camas em pediatria e 40 camas em Cuidados Intensivos.

A pressão pandémica também é observada nos serviços disponíveis no Hospital Amadora-Sintra que tem, num universo de 150 camas disponíveis em enfermaria, 14 vagas. A Unidade de Cuidados Intensivos do hospital também está no limite de ocupações: com uma capacidade para receber vinte doentes, o Amadora-Sintra tem, de momento, duas camas ao dispor.

De acordo com um comunicado enviado à redação da TVI, está prevista a abertura em "breve" de mais 30 camas no Centro de Apoio Militar de Belém. É estimado ainda um reforço do apoio dado pelo Centro de Acolhimento da Marinha na Base Naval do Alfeite, onde irá funcionar uma Estrutura de Apoio de Retaguarda.

A região de Lisboa e Vale do Tejo contabiliza esta sexta-feira 323 surtos ativos de covid-19, dos quais 121 estão identificados em estruturas residenciais para idosos, com um total de 3.133 casos confirmados, revela a Administração Regional de Saúde.

Do total de surtos ativos nesta região, “oito estão em fase de resolução”, adianta a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), em resposta à agência Lusa.

Quanto aos 121 surtos ativos em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI), segundo dados desta sexta-feira, “com um total de 3.133 casos confirmados”, a Administração Regional de Saúde refere que, no âmbito da incidência de infeções na região de Lisboa e Vale do Tejo, a situação nos lares de idosos “representa preocupação considerando a idade e as comorbilidades geralmente associadas aos residentes em ERPI”.