Um casal apresentou queixa no Ministério Público depois de a mulher ter perdido o bebé com cerca de seis meses de gestação no Hospital Amadora-Sintra, que já anunciou a abertura de um inquérito para apurar o que se passou.

O caso ocorreu na passada terça-feira e foi denunciado à agência Lusa por Alcides Mendes, o pai da criança, que apresentou queixa no Ministério Público da Amadora devido a alegada negligência do Serviço de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra).

Contactado pela Lusa, o hospital "lamentou o sucedido" e avançou que “decidiu abrir um inquérito interno para o integral esclarecimento da situação”.

Alcides Mendes contou que a mulher se sentiu mal, com muitas dores, por volta das 14:00 de terça-feira, tendo recorrido ao Serviço de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do hospital, onde chegou cerca das 16:30.

Fez a triagem e ficou à espera que fosse chamada pela enfermeira, o que aconteceu cerca das 18:40. “A enfermeira fez o CTG e os exames à minha esposa e ao bebé. Com dúvidas sobre se ela tinha de ficar em observação ligou a perguntar à enfermeira-chefe o que devia fazer e a mesma mandou a minha esposa cheia de dores para a sala de espera porque o caso dela não era urgente”, disse o pai do bebé.

A minha mulher insistiu a dizer que estava com muitas dores, mas disseram-lhe para aguardar na sala de espera”, adiantou Alcides Mendes, que na altura estava a trabalhar, tendo chegado ao hospital cerca das 19:30, onde encontrou a mulher sentada numa cadeira sem se conseguir levantar.

Perante o desespero da mulher, Alcides Mendes foi pedir para uma médica a observar, mas a resposta foi, relatou, que “tinha de aguardar porque tinham muita gente na mesma situação”, decisão que não acatou.

Entrei bruscamente com ela e as médicas disseram que estavam ocupadas e que tinha de esperar. Depois de muita insistência, uma médica foi fazer a ecografia e disse que o feto estava morto”, lamentou, contando que que a mulher teve de fazer uma cesariana de urgência porque “corria risco de vida”.

Alcides Mendes disse que tentou avançar com uma queixa no hospital, mas que não foi aceite, tendo sido aconselhado a apresentar queixa no Ministério Público, o que fez na quarta-feira de manhã no tribunal da Amadora.