O Serviço de Urgência de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital Amadora-Sintra vai encerrar no período noturno a partir de segunda-feira por “carência de resposta”, anunciou esta quinta-feira o hospital.

Entre as 20 e as 08 horas, o Serviço de Urgência de Ginecologia-Obstetrícia não irá conseguir manter o seu normal funcionamento, de segunda a domingo, dada a escassez de recursos humanos que possam assegurar um eficaz atendimento às grávidas”, adianta o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) em comunicado.

Durante o período noturno, as grávidas deverão recorrer aos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria), do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (Maternidade Dr. Alfredo da Costa), do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (Hospital São Francisco Xavier) e do Hospital de Cascais.

O Hospital Amadora-Sintra sublinha que “continua, em articulação estreita com o Ministério da Saúde e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a trabalhar para encontrar soluções adequadas e concretizáveis no mais curto espaço de tempo possível, de modo a minimizar os constrangimentos que esta situação possa vir a causar”.

Segundo o hospital, o serviço de urgência irá manter o seu normal funcionamento no período diurno (entre as 8:00 e as 20:00) de segunda a domingo.

Ordem dos Médicos considera decisão preocupante

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, considerou hoje preocupante o encerramento noturno desta urgência, invocando que poderá sobrecarregar os serviços de outros hospitais.

É preocupante", afirmou, assinalando que o Hospital Amadora-Sintra "realiza muitos partos diários", uma vez que serve "uma população muito jovem".

O médico obstetra assinalou, ainda, que a percentagem de grávidas infetadas com covid-19 nos concelhos abrangidos pelo hospital era, em agosto, a mais elevada da região Sul do país.

Como possíveis consequências do fecho da urgência de Ginecologia-Obstetrícia no Hospital Amadora-Sintra durante a noite, entre as 20:00 e as 08:00, Alexandre Valentim Lourenço enumerou a sobrecarga dos serviços de outros hospitais e a falta de camas nas enfermarias, agravada pela necessidade de isolar grávidas infetadas com o novo coronavírus.

É preciso um reforço do pessoal, fazer reajustamentos nas enfermarias, criar duplos circuitos [por causa da covid-19], isolar grávidas infetadas", descreveu, acrescentando que o Hospital Amadora-Sintra é, na região Sul, o que tem "mais necessidade de recorrer a médicos contratados".

/ HCL/SS - atualizada às 21:45