A Comissão de Utentes do Seixal disse esta sexta-feira que a urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada (Setúbal), vai passar a encerrar todas as noites, a partir de 18 de novembro, por seis meses.

A agência Lusa contactou a administração do Hospital Garcia de Orta, que não confirmou o encerramento e preferiu não prestar declarações.

A partir de dia 18 passa a encerrar todas as noites dos sete dias da semana”, disse à Lusa José Lourenço, da Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal, depois de uma reunião com a administração do Garcia de Orta.

Este serviço encerrou por diversas vezes durante a noite em outubro por falta de especialistas, levando o hospital a implementar um modelo de encerramento no período noturno aos fins de semana, até 18 de novembro.

No entanto, segundo o utente, a urgência pediátrica vai passar a estar aberta durante o dia, também ao fim de semana, mas fecha todas as noites, a partir das 21:00 até às 08:30 do dia seguinte, “pelo menos durante o prazo de seis meses”.

Estas informações foram transmitidas pela administração, segundo José Lourenço, que considerou a medida “preocupante”.

Vai aumentar a angústia que os utentes têm tido nestes últimos tempos, pela expectativa de, numa situação de emergência, terem que ir para Lisboa com os condicionalismos que existem na Ponte 25 de Abril”, explicou.

Já a comissão de utentes, vai fazer “um pedido de reunião urgente” à ministra da Saúde, Marta Temido.

Além disso, tem já em vista uma ação de protesto para dia 18 de novembro, quando se iniciará o suposto encerramento noturno, equacionando “uma vigília dentro do hospital”, caso seja autorizada.

A falta de pediatras no Garcia de Orta já afeta o hospital há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais e, segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, nem o lançamento de concursos foi suficiente para colmatar a carência porque “ninguém concorreu”.

Atualmente, trabalham 28 médicos no serviço de pediatria, dos quais sete fazem urgência e apenas quatro podem fazer noites porque têm menos do que 55 anos.

Em 26 de outubro, o presidente do Hospital Garcia de Orta informou que a urgência pediátrica deve normalizar “daqui a seis meses”, depois do lançamento de um novo concurso e do preenchimento das três vagas por contratação direta, autorizadas pelo Ministério da Saúde.

O Hospital Garcia de Orta serve os concelhos de Almada e Seixal, no distrito de Setúbal.

Garcia de Orta não confirma encerramento

O Hospital Garcia de Orta, em Almada, distrito de Setúbal, informou que continua a tentar “ultrapassar” a falta de pediatras, mas não confirmou se a urgência começará a encerrar todas as noites.

Em comunicado, a administração do hospital adiantou que se reuniu hoje com as comissões de utentes dos concelhos de Almada e Seixal, a pedido das mesmas, tendo informado que “estão a ser trabalhadas várias hipóteses com o objetivo de minorar ou solucionar os problemas que se vivem atualmente”, de falta de médicos especialistas.

Segundo a Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal, em declarações à Lusa, a urgência pediátrica do Garcia de Orta vai passar a encerrar todas as noites, a partir de 18 de novembro, por seis meses.

Contudo, na nota enviada, o hospital não confirma que esta medida se poderá concretizar, frisando apenas que a administração continua “a procurar ultrapassar” a situação de falta de pediatras, em conjunto com o Ministério da Saúde e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).

Neste sentido, indicou que, assim que possível, serão dadas a conhecer “todas as iniciativas que vêm sendo concretizadas, como os seus resultados”.

Como é conhecido, esta situação decorre do facto de o Hospital se defrontar com a carência de médicos especialistas em pediatria desde a saída, no final de 2018 e início de 2019, para o setor privado, de vários médicos que pertenciam ao quadro deste hospital”, explicou.

Para José Lourenço, da comissão de utentes do Seixal, o encerramento da urgência todas as noites é uma medida “preocupante”.

Vai aumentar a angústia que os utentes têm tido nestes últimos tempos, pela expectativa de, numa situação de emergência, terem que ir para Lisboa com os condicionalismos que existem na Ponte 25 de Abril”, explicou.

Por estes motivos, os utentes vão fazer um “pedido de reunião urgente” à ministra da Saúde, Marta Temido.

Além disso, têm em vista uma ação de protesto no dia 18 de novembro, quando se iniciará o suposto encerramento noturno, equacionando “uma vigília dentro do hospital”, caso seja autorizada.

A falta de pediatras no Garcia de Orta já afeta o hospital há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais e, segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, nem o lançamento de concursos foi suficiente para colmatar a carência porque “ninguém concorreu”.

Atualmente, trabalham 28 médicos no serviço de pediatria, dos quais sete fazem urgência e apenas quatro podem fazer noites porque têm menos do que 55 anos.

Em 26 de outubro, o presidente do Hospital Garcia de Orta informou que a urgência pediátrica deve normalizar “daqui a seis meses”, depois do lançamento de um novo concurso e do preenchimento das três vagas por contratação direta, autorizadas pelo Ministério da Saúde.

O Hospital Garcia de Orta serve os concelhos de Almada e Seixal, no distrito de Setúbal.

Ministra da Saúde não confirma encerramento

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse que o encerramento todas as noites da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal, "é uma hipótese que está ainda em estudo".

Essa é uma possibilidade, mas é uma possibilidade que ainda está em estudo e que será sempre articulada com o alargamento de outro tipo de respostas. É uma hipótese que está ainda em estudo", frisou Marta Temido.

A ministra da Saúde, que falava aos jornalistas à margem de uma sessão sobre aleitamento materno que decorreu em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, garantiu que "está a ser articulada" pelo conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e por outros hospitais da região "a melhor solução para o funcionamento da pediatria de várias urgências da Área Metropolitana de Lisboa".

As declarações de Marta Temido surgem horas depois da Comissão de Utentes do Seixal ter afirmado que a urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta vai passar a encerrar todas as noites, a partir de 18 de novembro, por seis meses.

A agência Lusa contactou a administração do Hospital Garcia de Orta, que não confirmou o encerramento, afirmando apenas que continua a trabalhar para "ultrapassar" a falta de pediatras na unidade.

A partir de dia 18 passa a encerrar todas as noites dos sete dias da semana", disse à Lusa José Lourenço, da Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal, depois de uma reunião com a administração do Garcia de Orta.

Este serviço encerrou por diversas vezes durante a noite em outubro por falta de especialistas, levando o hospital a implementar um modelo de encerramento no período noturno aos fins de semana, até 18 de novembro.

Confrontada com o anúncio da comissão de utentes sobre o encerramento todas as noites, Marta Temido não confirmou nem desmentiu a hipótese, referindo que "existem meios humanos limitados e necessidade de garantir aos utentes".

O Serviço Nacional de Saúde é uma rede e cabe-nos garantir que as respostas têm qualidade e prontidão", disse a governante.

Questionada sobre quais as alternativas à possibilidade de encerramento, a ministra respondeu: "Há mais hospitais da coroa de Lisboa que fecham às noites na área da pediatria. É o caso do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental que articula com o Centro Hospitalar de Lisboa Norte e com Centro Hospitalar de Lisboa Central. No fundo é um modelo semelhante ao das urgências metropolitanas do Norte do país".

Marta Temido acrescentou que a tutela acredita que terá "no início da próxima semana" resultados do processo de recrutamento de recém-especialistas o que, disse a governante, "permitirá ter novos pediatras no Hospital Garcia de Orta".

PCP quer ouvir ministra no parlamento "com urgência"

O PCP quer chamar ao parlamento “com urgência” a ministra da Saúde e o Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta para prestarem esclarecimentos sobre o encerramento da urgência pediátrica daquela unidade de Almada.

O requerimento, assinado pelos deputados Paula Santos e João Dias, refere que o grupo parlamentar do PCP requer, “com urgência, a realização de audições na Comissão de Saúde da ministra da Saúde e do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta”.

Além destes responsáveis, os comunistas querem chamar também à Assembleia da República o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

O objetivo desta audição prende-se com “o acompanhamento desta questão e a prestação de esclarecimentos sobre as medidas a adotar para assegurar a contratação dos profissionais de saúde para o Hospital Garcia de Orta” (HGO), no distrito de Setúbal.

No documento, a que a agência Lusa teve acesso, o partido aponta que, nas últimas semanas, o serviço de urgência pediátrica daquela unidade “não tem funcionado aos fins de semana devido à falta de médicos, constituindo motivo de enormes preocupações da população, em particular dos pais”, e refere que já hoje foi tornado público as mesmas urgências vão encerrar todos os dias à noite.

No período noturno, a única resposta pública existente são as urgências pediátricas do HGO. Confirmando-se o encerramento, significa que as crianças e jovens em situação de urgência terão de se deslocar aos hospitais em Lisboa, o que é motivo de enorme preocupação e um retrocesso de décadas na prestação de cuidados de saúde na margem sul do rio Tejo”, critica o partido.

O grupo parlamentar do PCP salienta igualmente que a deslocação até Lisboa através da Ponte 25 de Abril pode demorar “mais de uma hora” em momentos de maior tráfego automóvel, “o que não é compatível com a necessidade de prestação de cuidados em diversas situações de urgência e doença aguda”.

Desta forma, “é o acesso à saúde de crianças e jovens que fica assim comprometido”, alertam os comunistas, que atribuem a “rutura do serviço de urgência pediátrica do HGO, devido à carência de médicos” especialistas, ao “desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde.